O encontro mais recente do projeto A Região em Pauta, sobre segurança no trânsito, foi realizado na última segunda-feira, no auditório do Grupo Tribuna, com a presença de autoridades e especialistas. Desde então, o noticiário foi ocupado por mais casos de sinistros. Alguns com vítimas fatais, caso do ciclista que foi atropelado por um carro de luxo que invadiu uma ciclofaixa no bairro Boa Vista, em São Vicente, na última quinta-feira. Ou ainda a idosa que foi atingida por um ônibus no Embaré, em Santos, que corria risco de amputação de uma das pernas. São situações que comprovam a urgência do debate sobre o tema e a busca por soluções. “Temos observado aumento no número de vítimas no trânsito. Em muitas cidades do Brasil, o número de vítimas no trânsito supera as por arma de fogo, por exemplo. E grande parte da solução para esse problema está na responsabilidade compartilhada. Tanto o poder público quanto a sociedade civil e a iniciativa privada precisam entender que fazem parte do problema, mas também da solução”, afirma o CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), Paulo Guimarães. Para ele, questões relacionadas à infraestrutura, e o excesso de velocidade estão entre os principais problemas, mesmo com a evolução da segurança veicular. Contudo, as motocicletas representam hoje o principal risco. “Assim, a gente cai na questão comportamental, que tem um peso significativo para a gente conseguir reverter esse quadro. A ideia é que tanto a sociedade quanto os tomadores de decisão reflitam, tenham consciência do tamanho do problema e realmente se unam para poder encarar essa solução de frente”. De forma organizada Frederico Pierotti Arantes, presidente do Conselho Estadual de Trânsito de São Paulo (Cetran-SP), vai na mesma linha. “O trânsito é um ambiente democrático. Nele tem ciclista, tem pedestre, tem motorista de ônibus. E nós temos que conviver nesse espaço de forma organizada. É como aquela história do mar, onde tem o veleiro e tem o barco a remo”, compara. Já o assessor jurídico da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos, Marco Vieira, reforça a necessidade de mudanças na legislação, evitando a sensação de impunidade. “O debate sobre regras de trânsito, sobre o cumprimento das regras de trânsito, índices de sinistralidade é super importante, pois envolve toda a sociedade. Não basta mais jogar todo o ônus para o Poder Público resolver. O problema de acidentes de trânsito é, antes de tudo, um problema comportamental”. José Montal, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), revela outra preocupação: a fadiga como fator que potencializa o risco. “O grande drama do sinistro é sobre manter sua atenção permanentemente voltada para o controle do ato de conduzir”, sintetiza.