(Sílvio Luiz) A tecnologia está elevando o nível de atuação dos sistemas de monitoramento nas cidades. Agora, existem equipamentos com programação e inteligência. O próximo passo, aqui, na região, é implementar câmeras que possam fazer reconhecimento facial de criminosos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Quem falou a respeito do tema, ao longo de A Região em Pauta, foi o secretário de Segurança de Santos, Sérgio Del Bel. Ele afirmou que o Centro de Controle Operacional (CCO) dispõe de mais de 1.730 câmeras, mas que é impossível cada uma delas ser acompanhada por profissionais durante o dia inteiro de trabalho. Por isso, adotou-se um sistema que atrai a atenção dos agentes sempre que algo fora do esperado acontece. “Grande parte das câmeras que temos são dotadas de inteligência artificial (IA). Se não quisermos que, depois das 18 horas, alguém entre em um salão, programamos o equipamento, digitando perímetro e colocando o horÁrio em que ninguém pode entrar ali. Caso haja alguma intrusão, a câmera acende no CCO. Ela liga e alarma para nós”, exemplificou. Além disso, os recursos atuais estão interligados em um sistema da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SS), chamado Muralha Paulista. Ele possibilita que todas as ocorrências em São Paulo sejam vistas por policiais e guardas civis municipais (GCMs), permitindo, inclusive, ações conjuntas. “As informações são compartilhadas com vários guardas civis, além da Polícia Militar. Eles acessam por meio do celular (em meses, será por tablet) o que está acontecendo. Se precisar fazer pequisa criminal, já faz pelo celular, com resposta imediata”, disse. Neste ponto, Del Bel afirmou que o próximo incremento é dispor de reconhecimento facial. “Estamos caminhando para isso. Daqui a algum tempo, isto estará disponível aos GCMs por meio do celular. Já sai a identificação criminal na hora, se for o caso”. O diretor do Departamento de Polícia do Interior (Deinter-6), da Polícia Civil, delegado Luiz Carlos do Carmo, deixou claro que torce para que estes mecanismos estejam disponíveis logo. Contudo, ele destacou que, para isto acontecer, cada prefeitura terá de investir em equipamentos de qualidade. “Quem for adquirir câmeras, deve conversar sobre o modelo deste item. Tem de ter boa resolução. Não é uma câmera tão cara, mas não é tão simples”, frisou. Embora o sistema de monitoramento das prefeituras aumente a percepção de segurança por parte da população, ele não serve para prevenção de crimes. Segundo Sérgio Del Bel, os ladrões não se sentem inibidos pelos equipamentos. Por isso, não se deve depositar todas as fichas do combate aos crimes nos centros de monitoramento. O secretário de Segurança de Santos justificou seu posicionamento. Ele entende que a velocidade dos indivíduos na prática dos delitos, que é diferente do tempo necessário para guardas civis e policiais agirem, não permite que as câmeras coíbam furtos, roubos e afins. “Quanto tempo demora cada crime? Dois ou três segundos — nenhum dura um minuto. Quando damos a sorte de monitorar alguma ação, tem existido rapidez de resposta da PM, da GCM ou de ambos. Porém, na maior parte das ocorrências, até deslocar uma viatura, o bandido já tomou destino, trocou de roupa, tirou o moleton... descaracterizou-se”, afirmou o especialista. Diante disso, as autoridades seguem buscando soluções, com o fim de reduzir o intervalo entre cada ato violento e a reação dos agentes da lei. Del Bel citou uma das alternativas implementadas, que já ajudou a acelerar o processo de acionamento policial. “Contamos com a presença da Polícia Militar 24 horas por dia no CCO. Isso é importantíssimo. Antes, tínhamos de fazer contato com o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), e eles repassavam a informação para as viaturas. Hoje, isso é endereçado em tempo real às viaturas pela própria PM”, disse. Por fim, o secretário santista destacou outro procedimento adotado no Centro de Controle Operacional. No local, imagens são arquivadas, podendo ser solicitadas por investigadores quando necessário. “A Polícia Civil nos pede as gravações, que servem como prova, para robustecer as acusações criminais”. O uso de câmeras se espalhou pela Baixada Santista. Hoje, ao menos oito das nove cidades utilizam este sistema, espalhando equipamentos por ruas, espaços públicos, estradas e até mesmo áreas industrial e portuária. Alguns dos municípios ainda planejam a expansão do serviço. O local com maior número de “olhos” espalhados por seu território é Praia Grande. Lá, estão 3.416 câmeras, mais do que o dobro da quantidade registrada em 2015, quando havia 1.530 itens. Na sequência, a prefeitura de Guarujá afirma contar com mais de duas mil equipamentos. Eles possuem alta resolução e tecnologia Full HD. Por sua vez, Santos aparece com 1.763, além de ter acesso a 46 câmeras presentes no Porto. O município pretende instalar mais 1.500 por meio do programa Santos Mais. Em Itanhaém, existem 1.125 equipamentos. A maior parte deles (761) está dividida em 113 edifícios e locais públicos. Mais ao norte, Bertioga dispõem de 850 câmeras. A administração local destacou que existe um plano para que este número seja ampliado. Por fim, Cubatão possui 230 itens, e Mongaguá, 37. São Vicente disse contar com o sistema, mas não apontou quantas câmeras estão em seu território. Peruíbe não encaminhou suas informações até o fechamento desta edição.