[[legacy_image_251191]] A oitava edição do projeto A Região em Pauta teve início na última segunda-feira. Assim como já havia acontecido anteriormente, o tema que abriu o ano foi Educação. O evento ocorreu no auditório do Grupo Tribuna, reunindo autoridades públicas e especialistas da área. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A primeira parte do fórum teve como tema Um Ano de Escolas Reabertas: Resgate do Aprendizado?. Ao explanarem a respeito disso, os convidados falaram sobre os principais desafios enfrentados, passando por alfabetização, evasão escolar e políticas públicas que foram utilizadas para tentar minimizar efeitos do fechamento das unidades educacionais e buscar soluções. Um dos momentos que mais chamaram atenção foi quando Valéria Mhui, da equipe técnica da Coordenadoria Pedagógica e do Departamento de Avaliação Educacional da Secretaria de Estado da Educação, discordou de uma declaração antiga do ex-secretário de Educação de São Paulo Rossieli Soares. Em 2021, ele afirmou que, na pandemia, haveria um retrocesso de dez anos na aprendizagem. Valéria refutou a ideia. “Existem lacunas, mas não mantemos essa avaliação”. Na sequência, a educadora declarou acreditar “demais na ação do secretário (Renato) Feder, de acompanhamento em sala de aula em tempo integral, que é imprescindível. Eu, pessoalmente, digo que não é fácil, mas acho que as avaliações bimestrais vão mostrar como podemos estar atentos para fazer a lacuna diminuir. Muita coisa impactou, principalmente na matemática, mas não acredito em dez anos, não”. Outro ponto abordado foi a importância do professor ser capacitado. A diretora do Centro de Formação dos Gestores da Educação Básica (Cefog), Daniela Faquim, assegurou que este é o foco da atual gestão paulista. “Queremos garantir uma aula de qualidade. A formação é uma preocupação, já que, a partir disso, teremos uma aula de excelência, e o estudante vai se desenvolver”. "Tapa na cara" Também presente no painel, o prefeito de Santos, Rogério Santos (PSDB), admitiu que a covid-19 chocou o poder público, exigindo agilidade. “A Educação deve ser valorizada como Ciência, como pesquisa. Coube a nós, gestores, levarmos um tapa na cara, que a pandemia trouxe, para tocar como urgência a revolução na Educação que a gente precisava”. O chefe do Executivo santista enfatizou, ainda, que o tempo total de fechamento das escolas foi prejudicial, indo na contramão do que fizeram nações mais desenvolvidas. “Ficamos parados dois anos. Já países mais estruturados, como França, Alemanha, Reino Unido, Dinamarca e Suécia, 90 dias. Vontade política? Não! Estrutura geral, que envolve interlocução do poder público com a Educação, além da sociedade com convencimento de que a Educação é o futuro”. Diante disso, segundo ele, o grande desafio dos agentes públicos “é, o mais rápido, reverter o retrocesso e avançar”. Gestão vicentina Tentar seguir na direção do que falou Rogério Santos é o que São Vicente busca fazer. “No município, 25% do orçamento está na Educação. Mas, a gente vem de, historicamente, não aplicar este percentual na área. Foi assim até 2021, o que gerou problemas. Hoje, trabalhamos em várias frentes, mas não dá para fazer tudo ao mesmo tempo. Apesar disso, estamos trabalhando com o dinheiro que temos. Tanto é que foi entregue o material escolar pela primeira vez (aos alunos)”. ‘Apagão’ de professores preocupa O tema do segundo painel foi Apagão de Professores: o Desafio de atrair jovens para a carreira. Como não poderia deixar de ser, toda a conversa girou em torno do perfil das pessoas que buscam formação em Licenciatura na atualidade e a queda de ingressantes nesses cursos. Ao comentar o assunto, o dirigente de ensino da rede estadual de Santos, João Bosco Guimarães, disse que este problema não é novo. Segundo ele, nota-se a falta de profissionais “há algum tempo”. No entanto, o educador ressaltou que esta não é a única adversidade enfrentada. “Percebemos, ano a ano, a dificuldade nas atribuições de aula, não só pela falta de professores, mas pela carência na formação, já que muitos deles vêm de classes populares. Não digo que isto é um problema, não faço juízo de valor, mas é uma constatação. Temos carência por conta de uma lacuna que vem da formação inicial”, explicou. A presidente do Semesp, entidade que reúne mantenedoras e instituições responsáveis por estabelecimentos de Ensino Superior, e da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Lúcia Teixeira, seguiu a mesma linha de raciocínio. “Normalmente, são atraídos estudantes de classes desfavorecidas e que têm nível social e cultural um pouco mais deficiente em relação a alunos de outros cursos”. A vereadora santista e presidente da União dos Vereadores da Baixada Santista (Uvebs), Audrey Kleys (PP), apontou outros elementos que desestimulam o surgimento de novos docentes. Entre eles, estão salários considerados baixos, superlotação das salas de aula e falta de estrutura. Por isso, a parlamentar disparou: atitudes precisam ser tomadas, para que a falta de profissionais não chegue a níveis mais delicados. “Queremos chegar a 2040 sem professores? Então, precisamos consertar isso (o cenário atual) de forma rápida”.