[[legacy_image_257720]] Os investimentos atuais são insuficientes para que o Brasil bata as metas estabelecidas pelo Marco Regulatório do Saneamento. Esta é a avaliação de Gesner Oliveira, ex-presidente da Sabesp e coordenador do Centro de Infraestrutura e Soluções Ambientais da Fundação Getulio Vargas (FGV). O especialista entende que a injeção de receita deve aumentar consideravelmente para que os objetivos sejam alcançados. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo o ex-presidente da estatal paulista, até 2033, será preciso gastar R\$ 500 bilhões em todo o país. Porém, o executivo afirma que o Brasil está longe de aplicar os valores necessários para que as exigências de níveis de tratamento de esgoto e fornecimento de água sejam cumpridas. “Se pegarmos a média dos últimos cinco anos, vemos que é preciso dar um salto. Estamos com média anual em torno de R\$ 18 bi de investimento e temos de dobrar, para que consigamos chegar a meio trilhão de reais”, disse Gesner. O coordenador de Relações Institucionais do Instituto Trata Brasil, André Machado, concorda. “O investimento está aquém. O patamar ideal é de R\$ 200,00 por pessoa/ano”. De acordo com dados trazidos ao A Região em Pauta pelo Trata Brasil, colhidos a partir do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2021, a nação investe, por ano, R\$ 82,71 por habitante. Possível solução Diante deste quadro, Gesner Oliveira é enfático ao afirmar que a saída para o País alcançar os índices determinados é recorrer à iniciativa privada. “Em muitos casos, empresas públicas podem investir. Mas, precisamos de mais investimentos privados, que só vêm se houver segurança e menor risco regulatório. Com estes requisitos, tenho certeza de que o investimento virá”, declarou. O ex-executivoda Sabesp ainda reforçou sua convicção de que há organizações dispostas a investir recursos no setor. “Ao mesmo tempo em que (a situação) é uma enorme tragédia social, é também um dos maiores mercados de infraestrutura do planeta. Há interesse, mas é preciso trabalhar a regulação”, frisou. Nível de investimento diferente na região André Machado expôs o panorama de algumas cidades da Baixada Santista. Ele mostrou que, de forma geral, Santos é a segunda melhor do Brasil em termos de saneamento — atrás de São José do Rio Preto. Porém, o município tem o menor investimento da região quando comparado aos vizinhos citados no evento. Os dados mostram um comparativo entre a cidade de Santos, Praia Grande, São Vicente e Guarujá. Nos quesitos atendimento de água, atendimento de esgoto, perdas e esgoto tratado, Santos lidera. Contudo, em investimento anual por habitante, o cenário se inverte. Com R\$ 79,52 por pessoa, o município vai para a lanterna do ranking, e o destaque passa a ser Praia Grande, que possui o maior valor médio do Brasil: R\$ 614,00. Guarujá surge na sequência, com R\$ 211,33. Por sua vez, em São Vicente, são R\$ 95,54. No Brasil, como um todo, a quantia é de R\$ 125,50. Preocupação O secretário santista de Meio Ambiente, Marcos Libório, deixou claro que os números acendem um sinal de alerta. “Este investimento nos preocupa até com projeções futuras, pois há problemas reais”. Apesar disso, André Machado afirma que o quadro santista é bom. “Santos é uma das grandes referências (no Brasil)”. Comparativo Santos: 100% de atendimento total de água, 99,93% de atendimento total de esgoto, 97,6% de esgoto tratado referido à água e 15,94% em perdas na distribuição Praia Grande: 91,43% de atendimento total de água, 75,01% de atendimento total de esgoto, 71,61% de esgoto tratado referido à água e 35,19% em perdas na distribuição Guarujá: 82,4% de atendimento total de água, 70% de atendimento total de esgoto, 70,72% de esgoto tratado referido à água e 44,3 em perdas na distribuição São Vicente: 90,72% de atendimento total de água, 78,59% de atendimento total de esgoto, 74,28% de esgoto tratado referido à água e 52,75% em perdas na distribuição Brasil: 98,6% de atendimento total de água, 94,7% de atendimento total de esgoto, 70,4% de esgoto tratado referido à água e 34,5% em perdas na distribuição