(Reprodução) Nenhuma profissão vai desaparecer por causa da inteligência artificial (IA). Embora haja alertas de empresas sobre a iminência da extinção de diversas funções, o máximo que vai acontecer será o fim de tarefas repetitivas. Quem garantiu isto foi Gabriela Morais, professora e especialista em Design Gráfico, com especialização em Desenvolvimento Web. Assim que começou a falar, na abertura de A Região em Pauta, a especialista tratou do tema. Ela afirmou, de forma taxativa, que, diferentemente do que diversos estudos apontam, as atividades existentes vão sobreviver às novas tecnologias. “A primeira coisa a entender é que a IA não substitui profissão. Oito anos atrás, falava-se que a radiologia não existiria mais, mas continuamos com radiologistas, que melhoraram seus trabalhos com a IA na parte de diagnostico”, asseverou a docente. Para ratificar sua posição, Gabriela voltou no tempo. “Em todas as fases da vida humana, tivemos notícias que enfatizam este sentimento (preocupação). Na época da datilografia, teve questão de que quem não soubesse datilografar, ficaria sem emprego, não iria se realocar…”, citou, ressaltando que companhias do setor espalham o medo do término de carreiras, a fim de atraírem os holofotes para suas ferramentas. Atenção Apesar do que foi dito por Gabriela, ninguém deve se enganar, achando que nada vai mudar. Apesar de ter certeza de que todas as funções vão ser mantidas, a forma de trabalhar será impactada. “A inteligência artificial vai substituir tarefas repetitivas, operacionais. Assim, profissionais tarefeiros estão ameaçados. Então, será que no meu ecossistema de trabalho, de rotina profissional, eu sou mais tarefeiro ou estratégico, crítico? Precisamos entender isso”, destacou a professora. A convidada do evento frisou que os trabalhadores necessitam compreender este contexto, “para não se criar desespero desnecessário”. Afinal de contas, como pode ser visto na página ao lado “ainda vamos precisar muito do ser humano”. No entanto, é obrigatório desenvolver “repertório” e senso crítico, para não correr o risco de sair do mercado. Estudos apontam para outras previsões Gabriela Morais foi categórica ao afirmar que a inteligência artificial (AI) não vai fazer profissões desaparecerem. No entanto, pesquisas de diferentes empresas e instituições contrariam o posicionamento da especialista. De um modo geral, os estudos garantem que sim, existem funções que vão sumir. Um dos levantamentos que atestam que determinadas atividades vão ser extintas foi elaborado pelo banco Goldman Sachs. No fim do ano passado, a organização apontou que 20% das profissões vão ter um fim. Além disso, o documento assegurou que 60% das funções vão ser afetadas de alguma maneira. Ainda, a companhia citada estimou que 300 milhões de empregos podem ser atingidos somente nos Estados Unidos e na Europa. Isso significa que, aproximadamente, 18% dos postos de trabalho de todo o planeta tendem a ser totalmente automatizados no futuro. A pesquisa revelou algumas das atividades com chances de passar por este processo. São elas: assistente jurídico, tradutor, operador de telemarketing, caixa de supermercado e atendentes em geral. Outros estudos A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) se manifestou sobre o tema. A entidade afirmou que 27% dos empregos nas nações que fazem parte do bloco podem ser automatizados. Em outras palavras, esta quantidade de vagas estão ameaçadas. A universidade de Princeton, nos Estados Unidos, também fez análises. De acordo com a instituição de ensino, professores universitários de disciplinas como História e Direito têm chances de acabarem substituídos pela tecnologia. Sociólogos, cientistas políticos e psicólogos clínicos também correm o risco de perderem espaço no mercado. Já a Revista Forbes, no último mês de junho, listou outros tipos de atividades que estariam caminhando para a extinção. Conforme a publicação, quem atua com fotografia corporativa, tradução, em linhas de montagem e design gráfico básico pode ficar desempregado em breve. Especialistas darão lugar aos generalistas Em meio às muitas mudanças provocadas pela IA, está o fim dos especialistas de diversas áreas do conhecimento. Antes procurados e solicitados por toda a sociedade, estes indivíduos serão substituídos por generalistas. Tal transformação vai acontecer aos poucos, mas trará mudanças significativas. Gabriela Morais foi quem abordou o tema. Ela afirmou que a humanidade caminha para um tempo em que pessoas consideradas referências em suas atividades poderão ser “descartadas”. De acordo com a professora, isso será resultado da capacidade da inteligência artificial de se desenvolver. “Nós conseguimos criar especialistas com a IA. Por isso, estamos caminhando para a era do generalista, tendo em vista que o especialista, eu crio”, declarou a docente. Ela chegou a destacar que esta “é uma transição que não será da noite para o dia”. Entretanto, quando este cenário estiver estabelecido, ocorrerá uma ruptura, inclusive do ponto de vista financeiro. “É uma quebra, pois a gente vem de um mercado em que os especialistas ganhavam mais”. Formação tradicional pode perder importância A formação tradicional pode perder importância. Apesar de o Ensino Superior seguir relevante em determinadas áreas, boa parte dos cursos universitários correm o risco de serem atingidos. De um modo geral, a prática de estudar será diferente por parte da sociedade. “Antes, a escola e a faculdade eram tidas como provedoras do aprendizado. Era lá que a gente ia. Agora, o aprendizado está em todos os lugares, como em podcasts. Quem é o responsável por estruturar o entendimento em aprendizado? Não é mais a escola ou a faculdade. Somos nós”, afirmou Gabriela Morais. Conforme a professora, vão sobreviver às mudanças áreas que sejam mais densas. Ela citou um exemplo. “Assuntos que carecem de experiência vívida, a gente vai continuar tendo. A Saúde é muito forte nisso, porque tem os laboratórios e as vivências. Porém, aquelas que não precisam de diploma, a pessoa vai fazer seu aprendizado sozinho”, disse. Para isto, no entanto, será necessário “pensar fora da bolha. O profissional bom do futuro é o que sabe conectar diferentes temas, fazer perguntas e tem senso crítico avançado”.