Especialistas pedem mudança no ensino por conta da inteligência artificial (Adobe Stock) Os professores terão de rever a forma de dar aulas e avaliar seus alunos. Por causa de recursos como o ChatGPT, além de outras ferramentas que usam inteligência artificial (IA) generativa, qualquer estudante alcança notas máximas com um simples “copiar e colar”. Assim, não há outro caminho, a não ser transformar a Educação de forma geral. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As afirmações anteriores são de convidados de A Região em Pauta. Os painelistas entendem que a tecnologia está nas mãos dos alunos e que é impossível pedir à juventude que deixe de utilizar aplicativos na hora de estudar ou responder questões, sejam elas simples ou complexas. Por esta razão, o presidente da Comissão de Privacidade, Proteção de Dados e Inteligência Artificial da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Solano de Camargo, afirmou que muita coisa precisa ser ajustada. Segundo ele, por exemplo, os trabalhos de conclusão de cursos (TCCs) das faculdades já não fazem mais sentido. “O mundo mudou por causa da tecnologia. Agora, existe um programa chamado Meu TCC On-line, que custa R\$ 70,00. Eu fiz o teste, e um trabalho ficou pronto em 50 minutos. Ele acabou sendo melhor do que 80% dos TCCs que eu corrijo. Portanto, este não é mais um método apropriado de avaliar o aluno que se forma na graduação”, sentenciou o docente, que também ministra aulas na Universidade de São Paulo (USP). Por sinal, Camargo declarou que, diante de seus universitários, busca se adequar, a fim de que a IA seja uma aliada e não uma adversária . “Estou fazendo experiências na faculdade. Criei um jogo de RPG, para o aluno responder e ganhar pontos. Temos de nos reinventar, porque o padrão em que fomos criados não existe mais. A IA generativa transformou o mundo, e vamos ter de mudar também”. A professora e especialista em Design Gráfico, com especialização em Desenvolvimento Web, Gabriela Morais também desenvolveu um método diferente. Ela tenta conduzir aqueles que usaram a inteligência artificial a reflexões. “Eu faço o seguinte: quero a resposta própria e a que vem pelo ChatGPT. Aí, mando o estudante confrontar as duas. Assim, faço ele me passar seu senso crítico. Eu recomendo isso, porque é uma forma de estimular o uso da tecnologia e também faz com que o estudante quebre a cabeça”, frisou. Reforçando que novas estratégias, como as citadas anteriormente, devem ser traçadas e implementadas, o advogado disse que os professores precisam, ainda, começar a avaliar de que forma o aluno “conversa” com as máquinas e o modo como usa as ferramentas tecnológicas. O especialista acredita que isto é capaz de comprovar se o conteúdo das aulas está sendo assimilado e absorvido. “Se ele fizer um prompt (comunicação com a IA) cujo resultado seja bom e acessível, talvez eu tenha ensinado, meu papel tenha valido à pena”. Sem proibição Por fim, Solano de Carmargo asseverou que uma atitude não pode ser tomada por docentes: coibir a utilização dos novos recursos ou fiscalizar se algo foi ou não criado com ajuda da IA. “Não adianta fazer isso, pois a criançada dá nó em pingo d’água”.