[[legacy_image_165888]] Existe uma parcela de estudantes que requer um cuidado especial na retomada das aulas presenciais: os que têm necessidades especiais. Os desafios para os alunos ditos regulares são grandes, mas para os que dependem de uma política inclusiva na educação não é diferente. O caminho está posto para ser trilhado, embora esbarre nas deficiências de preparação de muitos professores. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Nós falamos de adolescentes que se suicidaram. Há mães de crianças com deficiência que tiraram suas vidas porque não estavam conseguindo lidar com aquela questão dentro de casa. Estavam aprisionadas com seus filhos, vendo-os sofrerem, porque tinham uma rotina e, de repente, isso foi tirado. Se uma criança que não tem deficiência vê essa rotina sendo tirada e se sente “bloqueada”, imagina a criança e jovem com essas características? Muitas nem querem tirar a máscara, pois acham que já pertence à vida delas”, pondera a vereadora Audrey Kleys. Janaína Lamas, da UME Padre Waldemar, conta que a sua unidade se vê às voltas com esse desafio inclusivo. “É um desafio para todos nós. Vou dar um exemplo: na escola, temos dois primeiros anos, cada um com 29 alunos. Em um deles, tenho quatro alunos com deficiência, sendo três autistas e uma deficiente física. Na outra sala, temos três autistas. O desafio é enorme. São crises de desregulação constantes, gritos, choro. Nós ainda não sabemos nos comunicar com eles, são alunos que chegaram agora para nós. Contamos com as profissionais de apoio de educação inclusiva. Isso foi uma mudança na nossa rede”, relata. “Ter 10% da sala com necessidades especiais talvez nós não tenhamos condições de proporcionar a educação que essas crianças merecem. Mas vamos continuar tentando”. Regina Spada pondera que há muito a ser feito. Mas o primeiro passo deve ser dado, especialmente quanto à formação. “Nossos profissionais também não estão qualificados para dar o melhor atendimento a esses meninos, que eles merecem e precisam. Nós, como educadores, acreditamos muito na formação. Essas pessoas precisam ser melhor formadas, e não apenas na questão acadêmica, mas na questão prática. Precisamos trazer profissionais que têm essa expertise para próximo de todos os nossos professores. A gente tem que colocar esse assunto na pauta todos os dias, porque é presente nas salas de aula. Falta muito para a gente chegar ao ideal”, admite. João Bosco, da Regional de Santos, entretanto, faz uma ressalva; o conceito de inclusão deve ser ainda maior, e aplicado de fato. “Há duas coisas que a gente precisa pontuar nesse debate. Hoje, a questão da inclusão é meio “mascarada”. A gente faz de conta que inclui, mas nossa sociedade não inclui, não. Não inclui os idosos, ou quem não produz. A gente tem muito a tocar, ainda, com relação a inclusão. Não só a dos que têm deficiência, mas de todos. Somos uma sociedade que cobra produção, é capitalista, e que, se você foge um pouco dos padrões, está fora. Precisamos forjar, consolidar um novo tipo de sociedade. É uma tarefa muito mais complicada”, alerta. OtimismoOs desafios para a retomada consistente das aulas presenciais estão postos – e não são poucos. Mas, em comum entre os profissionais da Educação que participaram do A Região em Pauta, um sentimento sobressai: o otimismo. Esperançar é o verbo, aqui, intransitivo, porque ninguém abre mão dele. “A escola também optou por um projeto institucional sobre território educativo e sobre o nosso território, nossa comunidade. A gente acredita que é preciso toda uma teia para educar a criança. A gente não faz nada sozinho, vai buscar parcerias com nossa comunidade. Vamos nos fortalecer enquanto comunidade para achar essas soluções”, pontua Janaína Lamas. Regina Spada vai na mesma linha. “A parte boa é que, a cada aula, a mágica da sala de aula, o que o professor faz com seus alunos dá resultado”, aposta a especialista. “A gente tinha certeza que o nosso reforço seria para o segundo ano dos anos iniciais. A gente falou: ajuda essa criança a fechar o ciclo, se alfabetizar. Com base nessa diagnóstica inicial, mudamos. E nosso reforço, agora, é para o quarto ano. Porque precisamos salvar esse menino, que vai ter dois anos na nossa rede, para ele chegar numa escola estadual e ter um conteúdo básico”, resume Nivea Marsili, secretária de Educação de São Vicente. João Bosco pondera, por sua vez, que não dá para pensar em uma educação melhor sem investimentos. “A sociedade tem que cobrar, fiscalizar o que nós fazemos. Educação é algo tão sério, que não pode ficar só com o governo. É mais sério que Exército, que Polícia. Os países desenvolvidos hoje são os que investiram pesado na educação lá atrás”, afirma. A vereadora santista Audrey Kleys resume o sentimento do necessário investimento em Educação. “Enquanto a Educação não for prioridade em uma sociedade, de nada vão valer nossos esforços em quaisquer outras demandas. Na Saúde, no Meio Ambiente, no Esporte... É com ela que a gente vai amenizar e solucionar as demandas de todas as outras pontas”.