Executivo destacou que existem projetos de leis que esperam há anos para sem votados, mas sem nunca terem saído da gaveta, para serem apreciados por legisladores ( Roque de Sá/Agência Senado ) O poder público precisa criar políticas que incentivem a contratação de profissionais com mais de 50 anos. Isto se faz necessário não apenas para ajudar os trabalhadores de agora, mas também a fim de evitar que, no futuro, a desigualdade social aumente. Este alerta é de Mórris Litvak, criador e diretor-executivo (CEO) da empresa Maturi Jovens, plataforma que conecta trabalhadores de mais idade a oportunidades profissionais. O especialista disse que, atualmente, não há nenhuma lei ou projeto pronto para avançar nas várias esferas do poder. “Está muito parado. Por mais que a maior parte dos políticos tenha mais de 50 ou 60 anos, não existe, de forma geral, um olhar prioritário para o tema. Existem projetos parados há muitos anos”. Diante disso, o executivo considerou que todas as propostas existentes estão defasadas, já que não saíram das gavetas. Assim, é provável que as peças não tenham mais condição de trazer as melhorias necessárias. “Quando essas propostas forem revistas, vai ter de mudar muita coisa, porque a demografia está mudando muito rápido. Os próprios dados do Censo têm mostrado que a população envelhece mais rapidamente do que as projeções. Vai ter de refazer ou criar um novo projeto”, salientou. E quando forem escritos novos projetos, segundo Litvak, eles terão de tratar de dois assuntos: desenvolver mecanismos que levem organizações a empregar o público mais experiente e atualizar profissionais. “Acredito que precisamos ter incentivo governamental, a fim de que as empresas olhem para manutenção e contratação de pessoas com mais de 50 anos. Precisa, ainda, ter cuidado para recapacitar pessoas mais velhas, seja para conseguirem emprego ou empreender. Tem gente que trabalhou com coisas mais mecânicas, mas, agora, deve aprender a mexer no computador. A inclusão digital tem de passar por políticas públicas”, afirmou. De acordo com o CEO, caso a elaboração de uma legislação não aconteça, em breve, o abismo econômico entre classes vai crescer. “Vai haver aumento da desigualdade social. As pessoas que estão envelhecendo vão ficar sem emprego. Com isso, o rombo da Previdência vai ser maior. No fim, só vai conseguir envelhecer com qualidade de vida e dignidade quem tiver dinheiro, ou seja, uma parcela menor da população”. Comparação Por fim, o diretor foi questionado sobre a realidade brasileira em comparação com nações mais desenvolvidas. Para o convidado do fórum de A Região em Pauta, o País está atrasado, embora este fato não seja surpreendente, já que outras localidades viveram situação parecida décadas atrás. “Europa, Estados Unidos e Japão já vêm passando pelo processo de envelhecimento há muito tempo, mais de 100 anos. Aqui, é recente e rápido, enquanto lá ocorreu de forma lenta. Nestes lugares, existem políticas públicas, e é comum pessoas trabalharem mais velhas. Nós não teremos tanto tempo para nos preparar para isso”, frisou.