[[legacy_image_89042]] A sacada de um apartamento virou o ponto de partida para um movimento cultural bem amplo, que discute políticas para o setor, mas sem deixar a poesia e a música de lado. Este é o compromisso assumido pelo músico, poeta e historiador Danilo Nunes. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Seu projeto, o Sacada Cultural, nasceu durante a pandemia, e é onde ele abre a casa para lives musicais junto de outros artistas da região e do País. Pois a intenção de animar a vizinhança com som nos tempos de isolamento cresceu - e a arte dele apareceu. “Começou como um projeto simplesmente comigo tocando na janela da minha casa para os vizinhos. Dentro da pandemia, ou pouco antes, fui para uma casa onde a ideia era fazer um espaço cultural, mas o aluguel era muito caro. E não pude movimentar o lugar. A dona não quis baixar o aluguel. Fui tocando na sacada até onde deu. Aí, tive que sair de lá e fui para um apartamento no Embaré, mais barato”, lembra. Foi quando a arte e a solidariedade, mais uma vez, deram as mãos, um casamento personificado no projeto SOS Vila Gilda. Destinado a ajudar as pessoas que haviam sofrido com um grave incêndio na comunidade, no ano passado mostrou a face consciente de um artista multiverso. “Durante três ou quatro meses da pandemia, a gente ficou arrecadando verbas para a comunidade. Isso trouxe, além desse trabalho, que eu não chamo de caridade, mas de humanidade, uma situação em que a gente precisou se relacionar muito pela web”, narra. A antena de Danilo Nunes está sempre ligada. Agora, o Sacada Cultural também é transmitido via rádio. E “conversa” com outras iniciativas, como artigos em vários veículos do Brasil e até uma websérie. Tudo ao mesmo tempo, mas sem perder o sentido do fazer o bem. Nas lives, também surgiu uma forma de arrecadação, para poder encarar tempos difíceis, sem shows ou grandes apresentações. “Percebi que as pessoas se sensibilizaram bastante com todos os músicos. E começamos a fazer shows online, vender ingressos, pedir contribuições, o que chamo de cachê consciente. Porque a gente está oferecendo um trabalho. A música e a arte como um todo vieram anestesiar um pouco o sofrimento deste momento”, relata. Preocupação e aprendizado Mas o período não foi tranquilo para Danilo Nunes, do ponto de vista emocional. “Dentro da pandemia, tive síndrome do pânico, insônia - que até hoje tenho”. Quanto às apresentações presenciais, ele prega cautela. “Essa nova forma de abrir geral, como se vê em alguns lugares de Santos, me traz um pouco de receio. Nada será como antes. Acho que vai ter que se cuidar muito, se preservar mesmo”. Enquanto isso, a mente não para. A pandemia trouxe à tona o artista inquieto. Tanto que até ensaiou uma “prosa” com Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, em "Me Ensina a Ser Feliz", cuja letra nasceu durante a pandemia. Trata-se de um pedido de aconselhamento sobre como atingir a felicidade tão presente no povo nordestino, mesmo diante das agruras do dia a dia. “Gonzagão vira o terapeuta, e eu, o paciente”, brinca. Tantas atividades não escondem uma necessidade para o artista: se manter ativo. “A gente precisa se sentir vivo. Se não fizer, ninguém vai fazer pela gente”.