[[legacy_image_165879]] Os problemas de muitos alunos e suas famílias que, agora, retomam as aulas presenciais, passam ao largo do aprendizado. Fome, violência, depressão, e até suicídio estão na lista de preocupações dos gestores da Educação. E não faltam histórias para ratificar isso. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Temos uma plataforma onde são registradas as ocorrências de conflito, violência doméstica, tudo o que vocês imaginarem – tanto dentro da escola como fora dela. Nós marcamos 106 registros, mas imagino que esse número seja muito inferior ao que tenha acontecido, que haja uma subnotificação. As escolas não registraram devidamente tudo o que aconteceu. Até pelas redes sociais a gente percebe que o número é muito maior”, admite Regina Spada, da Diretoria de Ensino de São Vicente. João Bosco, da Diretoria de Santos, complementa com um relato impactante: a chamada “sopa de papelão”, que fez parte do cardápio de muitas famílias em áreas pobres visitadas por ele em meio ao período longe das aulas presenciais. “Como faz isso? Rasga-se o papelão, corta, põe para ferver em um fogão à lenha, joga água e joga sal. O caldo grosso que dá, você consome. De uma certa forma, nós, dirigentes, também precisamos fazer enfrentamento nesse aspecto. Porque não bastava servir alimentação em época de aula. População, em época de não-aula, precisa comer. Aula pode não ter, mas a barriga todo dia, naquele horário, sente fome”, raciocina. Ele lembra que as escolas abriram as suas portas para alimentar alunos e familiares mais necessitados no auge da pandemia e da crise econômica agravada por ela. “Tínhamos problemas sérios antes da pandemia, não só de educação, mas saúde, a parte econômica... Ou seja: o País já estava meio que cambaleando antes da pandemia. Ficamos mais pobres. Ou seja, o poder aquisitivo caiu. Quem era pobre, ficou mais pobre ainda”, avalia. “Nós abrimos para as pessoas se alimentarem. Não apenas dentro da escola, mas a gente fornecendo marmitex para as famílias. Elas iam para escola, comiam um pouco lá e levavam para casa, para alimentar o resto da família”, acrescenta. Introspecção, intolerânciaOs profissionais da Educação que participaram do A Região em Pauta detectaram algumas características preocupantes nesse aluno que volta às aulas presenciais: irritabilidade, introspeção, falta de compromisso com as aulas e aumento da intolerância e da violência, em alguns casos. “Nas escolas de Praia Grande, a gente enfrenta um problema sério, que são as brigas. A intolerância está grande. Ao invés de iniciar um diálogo com uma voz moderada, uma conversa entre eles e já estão gritando. E com o grito, vêm a impaciência, a irritabilidade, a falta de empatia. Com isso, a gente percebe também uma incidência maior de casos de bullying”, pontua Israel Batista de Oliveira, coordenador dos ensinos Fundamental e Médio. O descompasso do aluno com a sala de aula também se manifesta em alunos que, antes da pandemia, se comunicavam, com boas notas, e voltaram com algumas inabilidades e não estão conseguindo acompanhar os conteúdos. Uma outra coisa que se verificou foi o número de alunos com laudos que indicavam vários transtornos. Segundo eles, não é incomum alunos descompromissados com as aulas, que optam por circular pela classe. “Como se passaram dois anos com aulas online, e em algumas regiões não foi obrigatória a presença, o aluno saiu do online e não trouxe o compromisso com o presencial. Também verificamos um aumento de alunos introspectivos. Que usam capuz ou boné para que ninguém esteja no seu campo de visão”, diagnostica o especialista.