Água e Saneamento: este foi o tema de ontem do fórum A Região em Pauta, no auditório do Grupo Tribuna (Alexsander Ferraz/AT) Em alguns anos, todos os cidadãos da Baixada Santista, e talvez de outras localidades, terão a estrutura necessária para receber água de qualidade. No entanto, poderá haver hora agendada para o consumo se nada for feito para mudar o cenário atual, em especial no que tange à destinação correta do lixo. O alerta é do prefeito de Praia Grande e indicado à presidência do Comitê da Bacia Hidrográfica da região, Alberto Mourão (MDB), que participou do segundo fórum deste ano do projeto A Região em Pauta. O tema do encontro foi Água e Saneamento. O evento ocorreu nesta segunda-feira (17), no auditório do Grupo Tribuna, no Paquetá, em Santos. Enquanto encerrava sua participação, o chefe do Executivo praia-grandense afirmou que “vai chegar o dia em que as pessoas terão rede de água, mas com horário para consumi-la, porque não haverá o suficiente para vender ao cidadão”. Foi assim que o prefeito encerrou sua explanação. Antes, ele salientou que, por mais que a Sabesp cumpra sua promessa de universalizar o fornecimento de água tratada e o saneamento básico na Baixada Santista até 2029, as torneiras poderão ficar secas. Isso porque existem obstáculos que vão além da atuação da empresa. Para Mourão, um dos desafios é melhorar a destinação do lixo. “Sem isso, vamos continuar contaminando lençóis e rios. Aliás, a quantidade de material que encontramos nos rios é problemática”. Frear irregulares Para a deputada estadual e presidente da Frente Parlamentar de Acompanhamento e Fiscalização da Sabesp, Solange Freitas (União), a solução passa por frear o crescimento de moradias irregulares. “O lixo vem dessas áreas, que estão aumentando. Há uma meta para se atingir (da Sabesp), mas o Poder Público não está contendo o avanço dessas residências. É um dever de todos nós, setor público e população, de fazer nossa parte. Do contrário, as metas não vão ser alcançadas”, explicou. Diante disso, a diretora de Operação e Manutenção da Sabesp, Débora Pierini Longo, pediu que haja uma atuação conjunta, a fim de que o cenário mude. “Cada vez mais, é uma responsabilidade de todos.” A gestora também destacou que a companhia pode atuar em locais irregulares, desde que seja autorizada pela Prefeitura. Segundo ela, isso ajuda na preservação dos recursos hídricos, pois evita que o esgoto seja lançado nas águas. Sabesp antecipará universalização Embora o Marco Legal do Saneamento Básico determine a universalização dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário para 2033 em todo o Brasil, Débora Pierini Longo disse que a Sabesp continua engajada em antecipar a entrega dos serviços, na Baixada Santista, para 2029. Para provar o compromisso, ela citou ações promovidas, recentemente, na região. “Vamos investir R\$ 7,5 bilhões só na região. Destes, já temos contratados R\$ 3 bi”, afirmou, apontando feitos da empresa. “Entregamos cinco reservatórios no último mês. Também estamos ampliando o tratamento de água.” Assim, a diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp, Samanta Souza, assegurou: “Até 2029, concluiremos nosso trabalho”. O economista e sócio da GO Associados, Pedro Scazufca, disse que ações como essas, quando instituídas trarão benefícios. “Com aumento da cobertura de saneamento, temos (evolução da) produtividade do trabalho. Outros estudos observam melhoria no desempenho escolar, porque se reduzem faltas de alunos.” O especialista também mencionou ganhos econômicos. “Geram-se mais emprego, arrecadação para governos locais, massa de renda...”. No próximo domingo, A Tribuna publica um conteúdo especial, aprofundando os assuntos debatidos nesta segunda (17), durante o fórum do projeto A Região em Pauta, cujo tema foi Água e Saneamento.