Curadora-chefe da Pinacoteca do Estado, Ana Maria Maia (à esquerda) e Secretário Executivo de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado, Marcelo Assis (à direita) (Vanessa Rodrigues/AT) A sociedade precisa formar artistas, para que eles tenham a chance de viver de arte, mas também consigam preparar uma aposentadoria saudável do ponto de vista financeiro. Este pensamento é do secretário executivo de Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Estado, Marcelo Assis. O especialista destacou a importância de se olhar cuidadosamente para os profissionais. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Ao abordar o tema, o gestor demonstrou preocupação, inclusive com o fim de carreira de muitos que atuam na área. Em sua fala, ele lembrou do Retiro dos Artistas, que acolhe indivíduos que enfrentam dificuldades financeiras e emocionais, para salientar que trabalhadores do segmento chegam perto da miséria, sem que haja condições de se sustentarem. “Quando olhamos essas pessoas e o Retiro, vemos que precisamos pensar na vida pós-palco. O que vai acontecer com essa gente”, questionou. Diante disso, Assis destacou que existe a necessidade de se criar mecanismos que capacitem os artistas. “É olhar para cultura como setor capaz de desenvolver pessoas, de dar independência e dignidade. Tenho de criar alternativas, para que possam viver da arte”. Ciente de que esta tarefa, em grande parte, é do poder público, ele assegurou que o Governo do Estado está se movimentando. “Temos um conjunto de ações realizadas com o objetivo de chegar a todas as pessoas. Uma delas é o projeto CultSP Pro, que vem para oferecer trilhas formativas, para que fazedores de cultura se especializem a partir do que acham necessário, a fim de que desenvolvam melhor o seu trabalho. Esperamos que, com isso, tenham a oportunidade de estabelecer uma carreira profissional mais sólida”. Várias frentes Em resumo, para Marcelo Assis, habilitar profissionais é essencial, a fim de que mais indivíduos tirem da arte seu sustento. No entanto, para a curadora-chefe da Pinacoteca do Estado, Ana Maria Maia, outro elemento pode ajudar os trabalhadores. “Se pensamos no desejo de furar uma bolha e começar uma carreira como artista, eu diria que a polivalência é importante. Deve-se entender como juntar diferentes práticas e investir em algo mais laboratorial, experimental, usando como contraponto alguma coisa que garanta a subsistência e faça alcançar recursos. Esta é uma perspectiva inteligente e estratégica. Desta forma, vamos nos distanciando da formulação do artista romântico, que só cria, porque ele tem de ser um pouco produtor, articulador, professor… Acho que agir desta forma contribui”, declarou ela, que é especialista em arte moderna e contemporânea.