[[legacy_image_251203]] O nível de ensino que mais perdeu alunos, na Baixada Santista, em decorrência da pandemia foi o Fundamental 2. Das nove cidades da região, ao menos cinco tiveram aumento na evasão escolar neste segmento, que vai do quinto ao nono ano. O abandono foi considerado um dos grandes problemas educacionais encontrados depois do isolamento social. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No fórum A Região em Pauta, na última segunda-feira (27), no Grupo Tribuna, o prefeito de Santos, Rogério Santos (PSDB), disse que a saída de alunos da rede municipal não foi significativa, mas números fornecidos pela Secretaria de Educação do município mostram o salto que ocorreu ao longo da pandemia. Conforme os indicadores oficiais, as taxas de evasão em 2018 e 2019, respectivamente, eram 0,7% e 0,6%. Em 2020 e 2021, passaram a 1,8% e 1,4%. Ao detalhar as saídas das unidades educacionais, a pasta informou que “nesses anos, a maior parte dos alunos que abandonaram a escola foram os do Fundamental 2”. As razões seriam, de acordo com a Prefeitura, reorganização de suas rotinas familiares, divisão das famílias em casas de parentes, mudanças bruscas de endereço sem organização de transferência e até mesmo auxiliar a família na geração de renda, mesmo que informalmente. A Administração argumentou que “o trabalho que vem sendo desenvolvido está surtindo efeito, pois a evasão está decrescendo”. Não foram fornecidos números a este respeito. Outras cidades As autoridades de Itanhaém verificaram que a evasão foi mais acentuada entre os alunos dos últimos anos. Em números, de 2019 a 2022, 25 jovens do Fundamental 1 deixaram os colégios. No mesmo período, 88 do Fundamental 2 saíram das unidades. Segundo a Prefeitura, os motivos foram mudanças de endereço da família e desinteresse dos jovens. Em Guarujá, o cenário é similar. Em 2020, no período pandêmico, a maior parte dos estudantes que largaram os estudos era do Fundamental 2. Daquele ano até 2022, ocorreram 152 evasões neste nível. No Fundamental 1,52. Com relação a São Vicente, a secretária de Educação, Nívea Marsili, que participou do evento realizado no auditório do Grupo Tribuna, revelou que, desde 2019, cerca de três mil alunos deixaram as escolas da cidade. “É desesperador”, admitiu a educadora. A Tribuna pediu mais detalhes sobre a situação vicentina. A pasta responsável especificou que o total de evadidos no período foi de 3.148, dos quais 2.917 já retornaram aos bancos dos colégios. A Secretaria informou, ainda, que, somados os anos de 2020 e 2021, aconteceram 14 abandonos nos primeiros anos do Fundamental e 19 nos últimos. “Qual recorte trazemos do Fundamental 2? É que o aluno que não era o público de evasão desapareceu”, falou Nívea em sua participação no A Região em Pauta. Em 2022, Cubatão viu 12 alunos dos anos iniciais e outros 12 dos finais do Fundamental deixaram a rede. Embora os números sejam iguais, percentualmente há diferença. A taxa de evasão, respectivamente, foi de 0,20% e 0,35%, ou seja, percentualmente, o Fundamental 2 perdeu mais estudantes. Praia Grande só citou a taxa de evasão de 2022: 0,66%. Contudo, o município destacou que, nas séries iniciais do Fundamental 1 e finais do 2, as causas observadas para desistências foram mudança de endereço sem solicitação de pedido de transferência e doença do menor e/ou familiar. Também foram verificados dois casos de trabalho infantil (9º ano), que são monitorados pela rede de serviços. Mongaguá identificou que cerca de 54% da evasão era de jovens alunos com idades entre 13 e 14 anos em 2019 — normalmente, indivíduos desta idade estão nos últimos anos do Fundamental 2. A Diretoria de Educação do município informou que, em 2022, elaborou alguns eventos que chamassem a atenção dos estudantes. A iniciativa, segundo a pasta, resultou em um aumento de 21% de retorno desse público às escolas ainda no primeiro semestre. Em paralelo, a Secretaria entendeu a dificuldade desses alunos de chegarem à escola cedo. Por isso, para este ano letivo, houve alteração do horário, com os estudantes passando para o período da tarde, das 13 às 18 horas. Bertioga contabilizou 53 abandonos de 2019 a 2021. Via assessoria de imprensa, a Secretaria de Educação explicou que suas unidades têm aulas, no máximo, até o quinto ano do Fundamental 1 — a sequência acontece em escolas estaduais. Contudo, afirmou que a taxa de evasão na área central, geralmente, ocorre em razão da mudança de endereço. Já na área indígena, está relacionada com os hábitos culturais, tais como mudança de aldeia e períodos religiosos. Em Peruíbe, a maior parte de alunos em situação de abandono escolar ocorreu entre os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA - etapa inicial do Ensino Fundamental). Governo quer acompanhar frequência diária dos alunos Para ajudar no combate à evasão escolar na rede estadual, o Governo do Estado aposta as suas fichas em um acompanhamento diário da frequência dos alunos. A Secretaria de Educação acredita que, se puder “seguir” os passos dos estudantes, crescem as chances de evitar abandonos. “Vamos ter um acompanhamento em tempo real, para que possamos, cada vez mais, estar perto do aluno, para que ele não abandone (os estudos), principalmente no Ensino Médio”, disse Valéria Mhui, da equipe técnica da Coordenadoria Pedagógica e do Departamento de Avaliação Educacional da Secretaria Estadual de Educação. A educadora explicou que a tecnologia será utilizada neste processo. “(Vamos usar um) aplicativo no dia a dia”, afirmou, citando que este recurso ainda não está em funcionamento. Por sua vez, a diretora do Centro de Formação dos Gestores da Educação Básica (Cefog), Daniela Faquim, declarou que, independentemente dos recursos que forem usados, o mais importante é conseguir manter os jovens nas unidades. “Há preocupação com a frequência, porque, com evasão, não se tem aprendizado, já que o aluno está fora da escola”.