[[legacy_image_211812]] Apesar da descrença geral na política, há uma luz no fim do túnel. Que o diga Vanessa Ratton, jornalista, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e que implantou e atuou como diretora de três Escolas do Legislativo na Baixada Santista: Santos, Guarujá e Praia Grande - além de ajudar na de Cubatão. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Tenho percebido que, de uns tempos para cá, a juventude tem se interessado mais por política, assim como os integrantes da Terceira Idade”, conta Vanessa. “Quanto mais se afasta, pior fica. O sucesso da democracia é a participação popular”, diz. Na própria Escola do Legislativo havia cursos para jovens. No entanto, a transmissão de conhecimento a respeito de política já poderia acontecer mais efetivamente nos bancos escolares, não fossem certos conceitos que contrariam até a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Trata-se de um documento normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. “Ela prevê essa questão da educação política, da cidadania e protagonismo juvenil. Só que, infelizmente, os professores são impedidos de trabalhar porque, para qualquer coisa que você fala, vem a mãe, outro professor ou alguém da escola dizer que a escola é sem partido e que não pode isso ou aquilo. Mas as pessoas podem ir à igreja, em que se sugere muitas vezes as pessoas a votarem neste ou naquele. É doutrinar de alguma forma”, revela. Vanessa reforça justamente que não se trata de política partidária, mas de que os alunos possam entender os seus direitos e deveres, saber como denunciar e cobrar. “Isso é extremamente importante. Devia ser disciplina”, afirma. Direto da fonteOutro problema é que, em muitas ocasiões, o próprio professor não sabe muito a respeito do assunto. Isso foi notado nos cursos para esses profissionais realizados pela Escola do Legislativo. “A gente precisa começar a formar melhor o professor na universidade, com cursos paralelos, para que ele possa levar esse conhecimento para os alunos”, sugere. Para ilustrar ainda mais o tema, a professora cita como exemplo o modo de se transmitir conhecimento a respeito das culturas afro-brasileira e indígena nas escolas. E que pode ser mudado usando uma ferramenta muito simples: informação direto da fonte. “Eles vão ensinar uma coisa sobre a qual eles têm um viés de forma estrutural, preconceituoso e, às vezes, sem nem ter consciência de que tem o preconceito. Como eles vão ensinar isso na escola sem preconceito? E aí a gente fazia esses diálogos com os professores, oferecendo essa formação, trazendo pessoas negras e indígenas para falar, de modo a que se entenda a cultura do outro, sem pré-julgamentos”, lembra.