[[legacy_image_211851]] O corpo deixa claro: o ser humano possui dois ouvidos e uma boca. O cotidiano também indica fielmente: a intenção é que se ouça duas vezes mais do que se fale. Na matemática da cidadania, ter dados nas mãos e eficientes ouvidos formam a união perfeita, defendida por Renata Bravo, vice-prefeita de Santos e, mais recentemente, secretária da Mulher, Direitos Humanos e Cidadania. “Assim que assumi como vice-prefeita, tive a oportunidade de procurar diversos líderes religiosos para me apresentar, dizer minhas intenções e que gostaria de deixar a porta aberta para que nos comunicássemos. Eles têm contato direto com a comunidade. Não estamos falando de fazer política. Falamos de ter um relacionamento, de uma aproximação”, define. “Se a gente consegue conciliar a escuta do que a comunidade fala com os dados que temos, que são frios, mas são importantes, é o melhor caminho para que a gente faça uma política pública de qualidade”, define. A vice-prefeita dá como exemplo a construção de uma estação elevatória na Zona Noroeste, de olho na redução de enchentes no local, mas que pode ir além de sua finalidade pura e simples. “Isso vai desencadear outras medidas que a gente pode tomar com relação à habitação, saúde e educação. Então, é você ter o olhar do todo e saber o que fazer com isso tudo. E isso é fazer cidadania, é fazer política pública”, completa. O bem da população, expressado por um ato de cidadania, também está acima do vínculo partidário, como nesta outra situação lembrada por Renata Bravo, em meio às discussões a respeito da pobreza menstrual. “A Câmara Municipal fez um projeto de lei, mas que continha vícios que o tornava inconstitucional e, obrigatoriamente, o prefeito teria que vetar. Aí veio nossa preocupação. Como o prefeito vai vetar um projeto de lei que combate pobreza menstrual? E aí vem o uso da informação correta. Reuni-me com duas vereadoras e nós três, cada uma de partidos diferentes, chegamos a um ponto comum do que seria o projeto exato e necessário. Não podemos ficar só na fala, mas temos que agir”, detalha. Recursos A importância das lideranças de bairro veio à tona novamente quando Renata Bravo esclarecia como explicar à população que o recurso será encaminhado para um determinado lugar e não para outro. “É importante falar do orçamento participativo. Recentemente, a campeã foi a Sociedade de Melhoramentos da Vila São Jorge, com dois projetos: um de caratê e outro de uma feira de empreendedorismo. Foi campeã em votação, que fica aberta. O que me surpreende é uma região em que o primeiro projeto teve 28 mil votos. Essa quantidade elege três, quatro vereadores da Cidade”, explica. A vice-prefeita lembra que esse resultado tem de ser um sinal de alerta. “Talvez eles não saibam a força que eles têm para fazer essa discussão, de que essa região tem potencial e de como fazer essas lideranças entenderem que eles possuem essa pedra preciosa no mundo”, diagnostica. Por outro lado, lembra Renata Bravo, é necessária sabedoria com relação aos projetos apresentados e que não foram contemplados nesse primeiro momento. “Nós não podemos descartar os outros. A gente tem que avaliar para poder aproveitar essas propostas”, afirma.