[[legacy_image_294082]] O crime organizado, especificamente o Primeiro Comando da Capital (PCC), está instalado na Baixada Santista. E mais: a facção criminosa também se espalhou por todo o Estado. Por isso, o chefe da assessoria militar da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), Pedro Luis de Souza Lopes, diz que é um desafio enfrentar esse quadro. Representando o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, no encontro, Lopes foi categórico: “Posso falar com tranquilidade que o crime organizado está instalado em todo o território estadual, não só na Baixada”. Sobre a região, o militar afirmou que “existem condições no litoral que favorecem uma presença diferente”. Lopes reconheceu que, “do ponto de vista de inteligência, significa dizer que havia tentativa em curso de territorialização. A mesma coisa já aconteceu em outros lugares do mundo”. De forma mais simples, Lopes quis dizer que os criminosos tinham como objetivo espantar a presença policial. Para embasar sua argumentação, o convidado expôs um dado. “Registramos, na microrregião entre Guarujá e Santos, aproximadamente 130 ataques praticados contra frações de ativos policiais civis, militares e guardas civis metropolitanos. Isso não acontece em nenhuma outra região do Estado”. Conforme o representante da SSP, essa ação do PCC foi a responsável pela deflagração da Operação Escudo, que ocorre há quase 40 dias e começou após o assassinato do soldado das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Patrick Bastos Reis. O policial foi baleado durante patrulhamento na Vila Júlia, em Guarujá, em 27 de julho. “É uma medida de restabelecimento do império da lei em ambiente em que se registra, de forma sistematizada, hostilização contra a ação da polícia”, afirmou. A operação não tem prazo para terminar. Lopes assegurou que a polícia não vai recuar. “Não há um metro quadrado no qual vai ser impedida a presença policial. Queremos garantir que todo litoral sul esteja sujeito à atividade policial, como qualquer outro lugar”. Diretor do Deinter: letalidade baixaA letalidade da Operação Escudo também foi abordada no encontro. O diretor do Deinter 6, Luiz Carlos do Carmo, prometeu analisar cada morte, entretanto, adiantou que, no seu entendimento, o total de mortes é baixo. “Quando se tem 600 policiais onde havia dez todos os dias, aumenta-se o embate. Isso leva ao confronto e à letalidade. Mesmo assim, os números são baixos”, considerou. Até o fechamento desta matéria, 24 pessoas perderam a vida em confrontos nas comunidades de Guarujá. Conforme Carmo, “tudo vai ser investigado, junto com o Ministério Público”. Isto é o que espera a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo. “Por mais que haja enfrentamento, precisamos entender o que está por trás de cada morte. Precisamos prestar contas”, frisou a convidada, que participou de forma remota. O diretor do Deinter-6 disse que as averiguações vão além das circunstâncias em que essas pessoas perderam suas vidas. “Nós, da inteligência, estamos fazendo nossa parte. E isto demora. Vamos levantar o patrimônio de pessoas que morreram e que são laranjas. Tudo vai chegar, e vocês vão ver o resultado”.