Prefeitura de Santos realiza atividades voltadas para crianças com noção de comportamento no trânsito (Alexsander Ferraz/ AT) Os futuros motoristas, antes da habilitação na mão, foram pedestres e ciclistas. Aprendem, aos poucos, o que devem fazer: respeito ao volante com todos os componentes do trânsito. Porém, de acordo com especialistas que participaram do A Região em Pauta, há um caminho a ser percorrido em segurança. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Até chegar aos 18 anos, ele não tem noção nenhuma de trânsito, a não ser de pedestre, por andar na rua. Em Santos, há um trabalho junto às escolas. Em 2025, foram 102 escolas atingindo 7.247 alunos”, conta o assessor jurídico da CET-Santos, Marco Vieira. “Antes de tudo, é preciso formar a criança e o adolescente como pedestre e ciclista, antes de chegar à rua”. Segundo ele, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê educação para o trânsito nas escolas, o que não acontece. “O Ministério da Educação deveria promover capacitação de professores dentro das escolas de ensinos Fundamental, Médio e Superior. Criar diretrizes, mas não o faz. A responsabilidade da educação para o trânsito está praticamente no Sistema Nacional de Trânsito e, hoje, as escolas pouco tratam. A empatia tem que vir desde cedo”. A Família No entanto, as atribuições de educação para o trânsito não precisam vir apenas do ensino formal, mas também passam pela família, desde o ensino básico sobre as cores do semáforo, por exemplo, ou do olhar para os lados antes de atravessar uma rua. “O problema é complexo, e não é de fiscalização. E está na educação dentro de casa. Todos somos um pouco culpados”. Frederico Pierotti Arantes, presidente do Conselho Estadual de Trânsito de São Paulo (Cetran-SP), defende a entrada da educação de trânsito na base curricular das escolas estaduais de São Paulo. “É um grande ganho para a sociedade, porque ele vai além do conhecimento da educação de trânsito. Ele vai ao encontro aí da civilidade, da empatia”. “A informação é a melhor vacina para você combater essa doença chamada sinistro de trânsito. Ela é muito invisibilizada. Penso que se ‘passa o pano’, talvez em função do amor que a gente tenha por um veículo tão sedutor como é o automóvel lá. Então isso talvez explique como a gente é leniente em relação a combater a doença”, José Montal, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) (Sílvio Luiz/AT) Mudanças José Montal, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), entende que a mudança comportamental da sociedade, mais acelerada e menos preparada para um trânsito hostil, revela a real fragilidade humana. “A medicina do tráfego é voltada exatamente para o instituto e para tentar corrigir essa questão. O remédio vem com a informação e um compromisso social pode surtir efeito e gerar frutos”, explica. Ele entende que ainda existe negligência quando o assunto é o sinistro de trânsito. “Existe uma doença chamada sinistro de trânsito. Ela é muito invisibilizada”, argumenta o especialista. Iniciativa criada em 2011 privilegia pedestres que desejam travessia (Matheus Tagé/AT/Arquivo) Faixa Viva sugere comportamento Iniciativa criada em 2011 pela Prefeitura de Santos, a campanha Faixa Viva não é uma unanimidade. Embora se reconheça sua importância, a sensação é de que, em alguns pontos, seu cumprimento não é total. Para o assessor jurídico da CET-Santos, a questão é comportamental. “Enquanto a sociedade não tiver o programa para si e esquecer que é do poder público, e pensar que, antes de eu ser motorista, fui pedestre, ciclista na adolescência, e aos meus 18 anos eu me habilitei, não vai adiantar. Tem que pensar que, hoje, o pedestre é uma figura importante”, explica. Ele lembra que o êxito em outras cidades do País, como Gramado (RS), Serra Negra (SP) e Brasília (DF) passa pela conscientização dos envolvidos. “É totalmente cultural. O trabalho que é feito lá é feito aqui, só que lá, não sei se a sociedade tem o programa para si”, argumenta Marco Vieira. Na prática Na prática, o motorista deve reduzir a velocidade e parar completamente ao perceber o pedestre aguardando a travessia em faixas sem semáforo. O pedestre tem prioridade, mas também precisa aguardar a parada total dos veículos antes de atravessar. Segurança se constrói com responsabilidade dos dois lados. Toda faixa sem semáforo é considerada faixa viva, mesmo sem identificação visual específica. Além da comunicação visual, a Faixa Viva mantém ações educativas presenciais em diferentes regiões da Cidade.