Encontro do Fórum A Região em Pauta foi realizado na última segunda-feira, no auditório do Grupo Tribuna (Vanessa Rodrigues/AT) Não conseguir cumprir com os compromissos financeiros vem se constituindo em uma triste realidade para um número cada vez maior de brasileiros. O País atingiu, em 2026, o maior índice de endividamento das famílias desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Em abril, 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida, segundo o levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Encontrar caminhos para reverter esse quadro e, mais importante, evitar novas dívidas, virou um debate prioritário, que passa pela educação financeira. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O tema foi abordado no último encontro do fórum A Região em Pauta, realizado na segunda-feira, no auditório do Grupo Tribuna. Especialistas debateram diversos aspectos desse problema — este caderno amplia a discussão. “Para quem está endividado, é recomendável conversar, buscar ajuda, não ter vergonha ou constrangimento. Pode ser com ajuda psicológica, entre amigos de confiança e que não estejam tão atrapalhados, ou ainda com profissionais e consultores financeiros”, recomenda Vera Rita Mello Ferreira, que é especialista em Psicologia Econômica. Para ela, um dos principais “inimigos” da atualidade, para quem está endividado, é a atratividade das chamadas apostas on-line, as bets. “Somos movidos pelas emoções e não pela razão. Infelizmente, elas prometem uma recompensa fácil e imediata. A pessoa fica fisgada pela ilusão de que vai ganhar e, com isso, acaba viciada”, lamenta. Objetivos claros Quando o cenário melhora e abre espaço para investimentos, é preciso atenção na melhor maneira de fazê-lo. É o que recomenda a gerente de Projetos Educacionais da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, Maria Luiza Arias Limeres. “Quando você sai do cenário de endividamento para começar a investir, depois de formar uma reserva de emergência (equivalente a entre três e seis meses dos seus custos fixos mensais), é preciso definir os objetivos de médio, longo e curto prazos. Com isso, será possível trabalhar melhor com o tempo e os valores necessários”, recomenda. Empreendedores Rodrigo Martins, consultor financeiro do Sebrae-SP, traz outro prisma do endividamento: o que afeta pequenos e médios empresários, culminando, em alguns casos, na morte precoce de iniciativas que, não raro, levam embora as economias de uma vida. “O início do negócio, muitas vezes, é com recursos familiares, reservas, FGTS, uma rescisão trabalhista e assim por diante. Por isso, a gestão financeira não é apenas uma obrigação burocrática, mas uma espinha dorsal que sustenta o negócio”, analisa. Infância A educação financeira não é algo exclusivo para adultos. As crianças podem (e devem) entender, desde cedo, o valor do dinheiro. É o que prega o professor de Matemática e Educação Financeira da rede municipal de Guarujá, Ademir Machado. “É sempre necessário reforçar que eles entendam que dinheiro é fruto do trabalho, que não vai cair do céu. A gente faz atividades de simulação de jogos, com a matemática por trás disso. Para acertar a aposta de um jogo, a chance é de 1/3, por exemplo.”