[[legacy_image_272301]] E para que servem os dados, estudos, análises, projeções e gráficos se não para organizar a sociedade, chamar a atenção das autoridades e formadores de opinião, adotar posturas e medidas que reduzam as consequências daqueles cenários que estão sendo apontados? (VEJA VÍDEO MAIS ABAIXO) Então, se hoje é possível prever que a tecnologia vai subtrair empregos desempenhados por humanos, se já está dito que o novo mercado de trabalho vai exigir das profissões que resistirem mais qualificação em ferramentas digitais, se já está posto que uma parcela dos atuais empregados ficará de fora (15%) e se já há a percepção de que outros tipos de habilidades serão necessárias nesse mundo do trabalho que se aproxima, não há mais tempo a perder. O emprego da tecnologia nas atividades humanas não vai retroceder, embora esta semana um conjunto de cientistas e CEOs tenha distribuído um comunicado alertando sobre a extinção da humanidade pela inteligência artificial. Esses apelos têm tanta eficácia quanto os movimentos sindicais no início da Revolução Industrial, pedindo para que as fábricas não incorporassem máquinas para fazer as funções que, antes, eram apenas dor humanos. A tecnologia não é a vilã do mercado de trabalho. Ela veio para aprimorar processos, reduzir desperdício, dar mais eficiência aos recursos, agilizar o fluxo dentro de uma linha de produção. É claro que, como em tudo na vida, é preciso um conjunto de propósitos que garantam a ética e a lisura nos procedimentos. É preciso regulação, sim, mas a tecnologia não pode ser classificada como a algoz da humanidade. A todos parece claro que há ainda uma falta de sintonia entre o mercado de trabalho (acelerado na incorporação de ferramentas digitais) e a formação educacional. Por outro lado, o Fórum Econômico Mundial apontou, em seu mais recente relatório, que habilidades socioemocionais serão necessárias ao ‘novo’ profissional, como pensamento analítico e pensamento crítico, motivação e autoconsciência, curiosidade a aprendizagem ao longo da vida, entre outros. Essas características dão um alerta a quem está empregado atualmente: acomodar-se não é um verbo a ser conjugado. É preciso estar atento à sociedade, manter-se informado, atualizado e estimulado. Por fim, há um aspecto nesse universo do mercado de trabalho x tecnologia que diz mais respeito aos governos de todas as esferas. O relatório do Fórum Econômico aponta para um contingente expressivo de pessoas que ficarão de fora por baixa qualificação, ou incapacidade de apreenderem os novos modelos. Para esses, será preciso garantir recursos de sobrevivência, como Bolsa-Família e outros auxílios sociais. Na Baixada Santista e em todo o País, já é crescente a curva de famílias que só conseguem colocar comida em casa por conta desses auxílios. Analisar todo esse quadro tem dois caminhos: com o copo meio cheio e o copo meio vazio. Como a tecnologia nos permite fazer previsões e provisões, eu escolho o copo meio cheio. [[legacy_youtube_a1_QEwnpugI]]