[[legacy_image_294089]] ‘Prende e solta’. Esta é a percepção de parte da sociedade em relação à detenção de criminosos que, pouco depois de serem presos, já estão pelas ruas. O detalhe é que isso passa longe de ser, somente, uma impressão. Ele é real e gera, inclusive, sensação de impunidade. A conclusão descrita acima é do diretor do Deinter 6, Luiz Carlos do Carmo. “Em quase 80% dos crimes, (os envolvidos) vão responder em liberdade. Às vezes, existe reincidência muito alta e é aí que está o problema. O que mais gera, para mim, a criminalidade é a garantia da impunidade”. O deputado federal Delegado Da Cunha (PP) disse que esta situação é fruto do que determina a Lei de Execução Penal. “Em qualquer crime com pena máxima de quatro anos, o juiz, obrigatoriamente, tem de converter a cadeia em restritiva de direito, diga-se, cesta básica, vulgarmente falando”. O parlamentar afirmou, também, que, atualmente, na prisão, “só tem homicida, traficante (muitos presos com pouca droga) e ladrão praticante de roubo a mão armada preso em flagrante (...) Quando é algo hediondo, a Lei de Execução Penal não cabe. Para os demais, o juiz vai olhar a pena máxima de quatro anos e, aí, é cesta básica. Tudo! Ameaça, lesão corporal… pode escolher o crime. Quase 90% dos crimes, no Brasil, não dão cadeia. Cadeia é exceção”. Ainda sobre a legislação, Da Cunha apontou aquilo que, em sua opinião, configura mais uma falha. “Onde está o problema do prende e solta? Não está nas penas, mas na quantidade exagerada de benefícios. Exemplo: indulto de Natal, de Ano Novo, livramento condicional…”. Facções entraram na política, cita CoimbraO deputado estadual Tenente Coimbra (PL) afirmou que o crime organizado está em vários segmentos da sociedade. Um dos setores citados pelo parlamentar nos quais as facções ingressaram foi a política. Ele preferiu falar de forma “genérica”, ou seja, não citou nomes. Mas, foi claro ao dizer que “cada vez mais, o crime está na política, com financiamento de políticos, escolhas de presidentes de Câmaras e contratos dentro de municípios”. Coimbra deu um exemplo da ação das facções. “Olhe a eleição de 2020 e a de 2022. Em diversas comunidades, o percentual que defende segurança pública não fez campanha”. O chefe de assessoria militar da Secretaria de Segurança Pública (SPP), Pedro Luis de Souza Lopes, comentou as declarações do deputado. “Temos esforço voltado à detecção de candidato a ingresso (político) que tenha conexão com pessoas ou atividade do crime. Isso tem gerado constatações que nos levam a acreditar que isto possa ser estratégia”.