Segundo a médica convidada para o evento, a Geriatria é menos rentável, razão pela qual os universitários procuram especializações em outras áreas (FreePik) O Brasil precisa de 30 mil médicos geriatras, para atender à demanda atual. No entanto, hoje, existem cerca de dois mil profissionais especializados, ou seja, 6,7% do que seria necessário. Deste modo, o déficit é de 93,3%. Estes percentuais fazem parte de um levantamento da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). A médica e professora do Campus Guarujá da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) Giulianna Forte comentou estes dados. Ela, que é especialista em cuidado de idosos, afirmou que o saldo negativo é fruto, entre outras coisas, do desinteresse de alunos de Medicina . “Geriatria não dá dinheiro. Para mim, ela me dá prazer, eu adoro atender idoso. Mas, quando fazemos faculdade, muitos médicos querem profissões que estão ligadas a uma remuneração melhor”, disse, explicando, também, que o profissional tende a investir mais tempo em examinar e tratar pacientes deste segmento, o que impacta na hora da escolha do universitário. “Trabalhamos com uma população que tem muitas patologias. Não é todo mundo que quer isso. Para se apaixonar pela Geriatria, tem de ser médico de alma, só que nem toda faculdade forma alma. Ela forma técnico”, frisou. Apesar do cenário, Giulianna afirmou que, em algum momento, este quadro pode ser alterado. Isso porque a sociedade está envelhecendo e cada vez aumenta mais o número de integrantes da terceira idade. Ela acredita que, assim, não haverá outro caminho que não seja formar mais especialistas. “Talvez, a gente conquiste pela necessidade, não pelo coração”. Outras especialidades Opresidente do plano de saúde Santa Saúde, Augusto Capodicasa, ressaltou que o déficit citado por Giulianna abrange outros setores, não sendo uma exclusividade do cuidado da pessoa idosa. “Aqui, em Santos, temos dificuldade com hematologista. Conhecemos uns quatro, cinco ou seis profissionais, mas temos mais de 400 mil habitantes. Em Praia Grande, não tem este tipo de médico. Já em Guarujá, não havia pneumologista até outro dia”, frisou. O convidado do fórum disse, ainda, que o público infantil carece de mais médicos. “Neuropediatra, nós não possuímos. Gastropediatra, temos um ou dois profissionais (por aqui)”. Na Baixada Santista A Baixada Santista não tem médicos geriatras suficientes para toda a população idosa. Hoje, conforme a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), estima-se que haja 324.035 pessoas com mais de 65 anos na região. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que deve haver um especialista para cada mil indivíduos com mais de 60 anos. Portanto, juntas, as nove cidades da Baixada deveriam dispor de 324 geriatras. Procurados por A Tribuna, oito municípios informaram a quantidade exata de médicos especializados na rede pública. Somadas, as localidades contam com 12 profissionais. Individualmente, Guarujá lidera a lista, tendo quatro especialistas. Santos vem logo na sequência, com três. Ainda, São Vicente e Cubatão têm dois cada. Por sua vez, Praia Grande possui um. Mongaguá e Itanhaém não contam com este tipo de profissional, assim como Peruíbe, que afirmou ter aberto concurso, mas que “não houve candidatos classificados”. Bertioga não enviou suas informações até a publicação desta matéria.