Delegado Luiz Carlos do Carmo disse que Deinter-6 deveria ter 1.800 profissionais, mas, no momento, atuam apenas 1.200 (Vanessa Rodrigues/AT) A Polícia Civil, na região do Departamento de Polícia do Interior (Deinter-6), que engloba a Baixada Santista e Vale do Ribeira, está com efetivo abaixo do ideal. O déficit de profissionais no setor pode chegar a 40%. As informações são confirmadas pelo diretor do órgão, o delegado Luiz Carlos do Carmo. O convidado de A Região em Pauta abordou o tema quando foi questionado sobre a possibilidade de se investigar todos os crimes registrados em boletins de ocorrência. Neste ponto, ele foi sincero: “Falta pessoal”. Na sequência, ele citou a proporção do rombo. “O déficit de profissionais é de 30% a 40% entre delegados, investigadores e escrivães. No Deinter-6, que atende a 23 municípios, operamos com 1.200 policiais, mas era para estar com 1.800”. Segundo Carmo, o percentual deve cair nos próximos meses. Isso porque, nas palavras do diretor da polícia civil na região, 300 novos policiais estão sendo capacitados em Santos. “Eles vão chegar para melhorar ainda mais nossa atividade”. Embora reconheça que o contingente atual é menor do que o planejado, o delegado tratou de dizer que sua equipe consegue atuar de modo satisfatório com o contingente atual. “Nossa produtividade, em 2023 e 2024, supera qualquer índice histórico. Os indicadores de redução de criminalidade e roubo batem 35%. Nunca tivemos isso aqui. Antes, só aumentava”, frisou. O delegado reiterou seu posicionamento, afirmando: “Fizemos uma redução (de casos) que não se imaginava. Comparando com outros municípios, ninguém chega aos nossos números”, celebrou, ponderando que grandes operações, como a Escudo, devem ter contribuído para os dados positivos. “Houve vários embates, letalidade altíssima. Mas, em contrapartida, os efeitos colaterais do crime diminuíram”. Luiz Carlos do Carmo acredita que, com o aumento do efetivo da polícia civil na região, o atendimento à sociedade tende a evoluir. “Com mais pessoal, damos uma melhor resposta, produzimos mais resultados”. Por fim, Carmo destacou que o Governo do Estado está investindo na contratação de mais profissionais para São Paulo como um todo. “Até o fim do ano, mais 3.500 policiais vão passar pela fase do exame oral. Estamos em um momento muito bom”, disse o delegado. Cidades com poucos GCMs Dos nove municípios que compõem a Baixada Santista, ao menos quatro têm quantidade de guardas civis municipais (GCMs) inferior à necessária. Além disso, três cidades não confirmaram se possuem o número ideal. Somente Bertioga foi categórica ao assegurar que não faltam agentes. No momento, o contingente bertioguense é de 179 guardas. A administração local diz ter a maior proporção de guardas por habitante da Baixada Santista. Os municípios que admitiram a falta de pessoal são os seguintes: São Vicente, com 187; Mongaguá, com 58 GCMs; Itanhaém, com 92; e Cubatão, com 43. Todos estes lugares ou já trabalham com algum tipo de concurso público, para aumentar o efetivo, ou planejam abrir processos seletivos. Principal cidade da região, Santos possui 425 guardas. A prefeitura foi questionada duas vezes se este número é o adequado, mas as perguntas não foram respondidas até o fechamento desta edição. O mesmo se deu com Praia Grande, que conta com 511 agentes, e Guarujá, com 378. Peruíbe não encaminhou suas informações. Combate a ferros-velhos clandestinos Quando ocorre furto de fios, muitas vezes, este item vai parar em ferros-velhos clandestinos. O mesmo acontece com peças de carros e outros objetos que são fruto de roubos e demais crimes. Na região, este comércio irregular é combatido por prefeituras, que fazem sistematicamente fiscalizações e autuações contra os receptadores dos objetos. Por sinal, alguns municípios vêm intensificando este trabalho, aumentando o número de operações realizadas. Neste sentido, Santos, Itanhaém e Guarujá registraram ligeiras altas em termos de vistorias na comparação dos dados dos dois últimos anos. Assim, na primeira cidade mencionada, ocorreram 44 operações em 2023, três a mais do que em 2022. Já na segunda localidade, aconteceram oito vistorias no ano passado ante sete no período anterior. No último município citado, o indicador subiu de 22 para 23. Já Bertioga encaminhou suas informações de maneira diferente. Como a cidade passou a contabilizar, especificamente, ações contra ferros-velhos em agosto de 2022, a administração encaminhou o total de mobilizações até o fim de 2023. Nos, aproximadamente, 15 meses, foram feitas 64 operações. Cubatão encaminhou, apenas, as informações deste ano. O município executou 13 vistorias. Praia Grande não tem estatísticas exclusivas para este tipo de comércios irregulares. Por isso, informou que aconteceram 1.496 forças-tarefas em 2023. Um ano antes, foram 1.332. São Vicente só tem os dados do ano passado. À época, 44 estabelecimentos foram autuados. Mongaguá e Peruíbe não enviaram suas informações.