[[legacy_image_165882]] Quem já passou por uma sala de aula sabe o peso de ser avaliado pelo professor. Receber uma nota, de preferência boa, como recompensa por um esforço realizado. Pois o tempo longe da escola praticamente inviabiliza uma avaliação pura e simples de uma gama enorme de alunos. A defasagem na Educação é retratada em números que mostram o tamanho do retrocesso - e preocupa. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O quadro soa desolador especialmente quando as disciplinas observadas são Língua Portuguesa e Matemática. As diretorias regionais de ensino de Santos e São Vicente apresentam dados que retratam o panorama árduo a ser encarado por educadores para recuperar os estudantes. As médias de proficiência Saresp no Estado, para o Ensino Médio, caíram 4,15% entre 2019 e 2021. Já em Matemática, a redução da média entre os dois anos analisados é ainda maior: 4,48%. Quando é observada a série histórica, desde 2010, o desempenho mostra-se ainda mais baixo. No caso da Língua Portuguesa, o resultado (263,1) é semelhante a 2013. Em Matemática, o índice (264,2) é o mais baixo desde 2010. “Estamos falando de Ensino Médio. Muitos adolescentes não têm chance de recuperar isso. Já saíram da escola. Agora, ele precisa recuperar sozinho. Posso falar que, como educadora, é desesperador perceber uma sequência dessas”, explica Regina Spada. Santos também preocupaOs números da Regional de Ensino de Santos também atestam a queda dos níveis de aprendizado dos estudantes pós-pandemia. As classes avaliadas foram o 5º e o 9º anos do Fundamental, além do terceiro do Ensino Médio. De acordo com as médias do Saresp, tanto em Português como Matemática, os índices subiram entre 2018 e 2019, mas despencaram para 2021 (confira quadro). A exceção é Ciências da Natureza, que não teve médias nas duas primeiras aferições do comparativo e que apresentou bom desempenho em 2021. “Como é que um aluno pode ter um nível de proficiência alto se foi “comido” da vida dele, no mínimo, dois anos? O aluno estava na terceira série quando começou a pandemia, e não teve a terceira e nem a quarta série. Ele passou para o quinto ano. Como é que você come de uma pessoa dois anos de escolaridade e acha que os resultados vão ser animadores? Isso não existe. Ninguém faz milagre”, resume João Bosco Braga Guimarães, dirigente da Regional de Ensino de Santos. 165883 RetrocessoSe os números ajudam a entender o que acontece com os estudantes da região, o dimensionamento prático do que representam revela a extensão do problema. No caso de São Vicente, as defasagens em Língua Portuguesa, de acordo com o relatório, se referem ao estabelecimento de relação entre ilustrações e o corpo do texto, localização de itens explícitos de informação e definir o tema do texto numa charge, por exemplo. Já em Matemática, os problemas residem em: tratamento da informação (entender o que pede um problema, por exemplo), álgebra e aritmética, além de espaço e forma. Na Regional de Santos, não são poucas as escolas cujas avaliações denotam, em 2021, nível abaixo do básico, ou seja, demonstram domínio insuficiente dos conteúdos, das competências e habilidades para o ano/série em que se encontram. Mas a vivência do dia a dia das escolas traz situações verídicas oriundas de um quadro ruim. “Hoje, só 33% das nossas crianças do terceiro ano conseguem quantificar. O que é isso? É contar no quadradinho quanto tem e trazer isso para o número. É um conhecimento básico, que a gente ensina lá na Educação Infantil. Uma criança que não sabe que sete bolinhas representam o número 7”, espanta-se Nívea Marsili, secretária de Educação de São Vicente. Israel Batista de Oliveira, de Praia Grande, traz outro exemplo estarrecedor. “Essa defasagem vai muito além do que dois anos. A ponto de, em duas escolas diferentes, alguns alunos, coincidentemente do sétimo ano, pediram para que a professora escrevesse com letra de forma na lousa. Porque a letra cursiva não permitia a compreensão. Estou falando de uma leitura de uma palavra, nem estou me referindo à interpretação de um texto”, revela.