O décimo encontro do projeto A Região em Pauta ocorreu nesta segunda-feira (18), na Pinacoteca Benedicto Calixto, no Boqueirão, em Santos (Vanessa Rodrigues/AT) A cultura deve passar por universalização, para ser acessada por pessoas de toda a sociedade. Esta foi a conclusão dos convidados do décimo fórum do ano do projeto A Região em Pauta, do Grupo Tribuna. Ocorreu nesta segunda-feira (18), na Pinacoteca Benedicto Calixto, no Boqueirão, em Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Quem citou essa necessidade foi o escritor, poeta e coordenador da Casa das Culturas de Santos, Flávio Viegas Amoreira. Ao longo do encontro, que teve como tema Cultura, ele afirmou que muitos consideram os equipamentos e as atrações restritos ao público de classes econômicas mais altas. “Sempre ouvi algo que expressa a síndrome de elitização dos espaços de cultura: ‘Tio, posso entrar aí?’. Esta pergunta dos desvalidos culturais, que não têm acessibilidade para conviver em uma Pinacoteca, é o maior sintoma”, declarou Amoreira. O especialista prosseguiu, ressaltando que o Poder Público deve oferecer opções àqueles que vivem em locais periféricos. “O que falta é política de inclusão. para que cultura não seja sinônimo de burguesia. Precisamos facilitar o acesso e capilarizar (distribuir)”, declarou. O secretário executivo de Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Estado, Marcelo Assis, concordou. O gestor disse que o Executivo paulista trabalha, justamente, no sentido de espalhar a arte por todo o território estadual. “Temos lutado para isso. Ano passado, batemos o recorde de atividade juntos aos municípios. Atingimos 638 cidades — faltaram sete. A cultura precisa ser para todos”, salientou. Para comprovar a atuação do Governo, Assis citou o Projeto Guri, que leva educação musical a jovens de 400 localidades. Outro destaque foi o CultSP Pro, cuja meta é qualificar profissionais da área. Apesar disso, o secretário frisou que tais ações não são suficientes. Também existe a necessidade de ensinar a sociedade a apreciar as atividades. “Se não formar o público, quem vai ao teatro? Vão ficar atrás da tevê, assistindo à Netflix”, asseverou durante o painel do encontro, que foi mediado pelo jornalista e professor universitário Matheus Tagé e pelo editor do caderno Galeria, de A Tribuna, Ronaldo Abreu Vaio. O ator, produtor e criador do Teatro do Kaos, de Cubatão, Lourimar Vieira, pensa da mesma forma. Por essa razão, aproxima, gratuitamente, estudantes do teatro. “Fazemos um clássico, como Pequeno Príncipe ou Dom Quixote, e levamos alunos e professores da rede pública. Em quatro anos, foram 16 mil pessoas ao teatro. Damos ingresso e ônibus.” Por fim, a curadora-chefe da Pinacoteca do Estado, Ana Maria Maia, disse que, além de pôr pessoas dentro de espaços culturais, devem-se criar ou usar ações que permitam a reflexão da população. “Vejo a arte como uma maneira de mudar o que é possível. Se pensarmos que todas as linguagens artísticas permitem que acessemos a memória e nos reinventemos, o impacto real na vida será diferente. A linguagem tem que ser dirigida para que pessoas possam participar.” No domingo, A Tribuna publicará um caderno especial sobre o fórum, aprofundando o debate. Atrações Logo que o fórum terminou, começaram apresentações. A primeira delas, realizada no salão principal da Pinacoteca, contou com o pianista Gabriel Motta Nunes, de 12 anos, que tocou duas músicas de Frédéric Chopin. Depois, o garoto formou uma parceria com o violinista Vinícius Mendes, para apresentar a canção As Quatro Estações, de Antonio Vivaldi. Na sequência, o público saiu do casarão. Nos jardins, a plateia apreciou uma mostra de circo preparada pelo grupo Tem Charanga Tocando a Brincadeira. Os artistas entretiveram homens e mulheres, levando muita diversão e música enquanto caminhavam pela área externa da Pinacoteca Benedicto Calixto. Para finalizar as apresentações, que fizeram parte do décimo fórum deste ano do projeto A Região em Pauta, o público se dirigiu à lateral do imóvel. Em frente à Fonte dos Desejos, estava o grupo Ciranda Coral. Composto por cantores idosos, ele trouxe programação musical variada e terminou o evento aplaudido.