“A B3 é uma infraestrutura que viabiliza os investimentos em produtos financeiros. E tem um propósito muito forte de trazer educação financeira para que as pessoas saibam investir de forma mais saudável e segura”, diz a gerente de Projetos Educacionais da B3, Maria Luiza Arias Limeres (Vanessa Rodrigues/AT) Dados do Serasa no Estado de São Paulo revelam a “cara” das dívidas dos paulistas. As chamadas utilities (contas de consumo básico, como água, luz e telefone) lideraram o ranking de maio, com 29,16% das dívidas. Em seguida, vêm as contas com bancos e cartões de crédito, com 27,38%, e financeiras, com 19,57%. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Outras dívidas envolvem serviços (10,59%); varejo (4,94%); telecom (3,65%); securitizadoras (2,23%); e cooperativas (0,89%). Por cidade Na Baixada Santista, o maior número de inadimplentes, em maio deste ano, estava em Santos, com 184.971 pessoas, totalizando R\$ 1,5 bilhão em pendências. O tíquete médio por inadimplente é de R\$ 9.226,89. Em seguida, vem Praia Grande, com 169.153 devedores, que somavam R\$ 1,4 bilhão em dívidas, com um tíquete médio de R\$ 8,8 mil. São Vicente completa o top 3, com 167.643 pessoas inadimplentes, que somam R\$ 1 bilhão em dívidas, com um tíquete médio de R\$ 6,8 mil (confira a relação completa das cidades no quadro). (Reprodução/AT) Problema amplo Para a especialista em Psicologia Econômica Vera Rita Mello Ferreira, o tema endividamento tem diversas camadas, com diferentes razões e formas de serem contornadas. “A gente estuda como a cabeça funciona, principalmente quando faz escolhas, em especial envolvendo comportamentos econômicos, que não são só financeiros. Envolvem o que a gente chama de recursos finitos. Não aguentamos nos controlar o tempo inteiro”, afirma. Ela cita que descendemos de ancestrais que não precisavam ter preocupações com o futuro, porque era algo que praticamente não existia. “Eles tinham uma expectativa de vida muito curta. Então, não fazia muito sentido ficar planejando para o médio e longo prazos”, raciocina. O objetivo primordial, entende Vera, é obter o chamado conforto financeiro, ou seja, condições de se sustentar agora e para o futuro. “É como uma luta entre Davi e Golias. Porque o mundo está bombardeando a gente a todo instante com opções de consumo”, exemplifica. “A gente estuda como a cabeça funciona, principalmente quando faz escolhas, em especial envolvendo comportamentos econômicos, que não são só financeiros. Envolvem o que a gente chama de recursos finitos, diz a especialista em Psicologia Econômica, Vera Rita Mello Ferreira (Vanessa Rodrigues/AT) Investimento seguro O planejamento financeiro também passa pela capacidade de fazer bons e oportunos investimentos. Nesse aspecto, a B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, revela-se muito além das grandes negociações que mexem com o PIB brasileiro. De acordo com a gerente de Projetos Educacionais da B3, Maria Luiza Arias Limeres, a bolsa se preocupa com a educação financeira de quem investe por seu intermédio. “A B3 é uma infraestrutura que viabiliza os investimentos em produtos financeiros. E tem um propósito muito forte de trazer educação financeira para que as pessoas saibam investir de forma mais saudável e segura. Há uma estrutura na Bolsa que promove esses projetos há mais de 20 anos”, destaca. Ela revela que há mais de 6 milhões de pessoas físicas como investidores. “Cerca de 95% da população está bancarizada, ou seja, tem uma conta aberta no banco, um dinheirinho ali na poupança, etc. Mas bancarização não é inclusão financeira. Então, a pessoa precisa conhecer para gerir o dinheiro”, prega.