Embora perceba-se o aumento de sites e lojas virtuais, especialista destaca que a maior parte do dinheiro que circula na sociedade não está na internet (Alexsander Ferraz) O comércio eletrônico é um caminho sem volta. O chamado e-commerce cresce há anos no Brasil e recebe cada vez mais gente querendo comprar e vender. Deste modo, pergunta-se qual será o impacto do mercado virtual sobre os estabelecimentos físicos. Será que as lojas, restaurantes e outros espaços correm o risco de extinção? Embora haja preocupações, existe quem creia que isso nunca irá ocorrer. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “O e-commerce tem muita oportunidade, mas o físico não vai acabar”, assegurou o consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), Alexandre Giraldi Moreira, que participou do sétimo fórum deste ano do projeto A Região em Pauta. Realizado na última terça-feira, no auditório do prédio do Grupo Tribuna, em Santos, o evento teve como tema abordado Comércio Varejista. Para o painelista, que atua no segmento há anos, os empresários criam “fantasmas” de forma equivocada, já que a maior fatia do dinheiro gasto pela população não está na internet. “De cada R\$ 100,00 que circulam no comércio, 16% estão no eletrônico. E ficamos com medo de o varejo on-line acabar com o físico!”. Aliado Diante deste cenário, durante o bate-papo, os convidados disseram que, ao invés de enxergar no meio eletrônico um adversário, é preciso vê-lo como aliado. Para isso, se torna necessário contar com lojas tanto no ambiente virtual como nas ruas e avenidas. Mas, é bom estar ciente de que ter presença na rede mundial de computadores não representa aumentar muito o lucro. “O varejo na internet trabalha com margens muito menores que as do físico. É mais sacrificante”, avisou Giraldi. Mesmo assim, é obrigatório marcar presença. “É difícil ganhar dinheiro no digital. Porém, para estar no jogo, tem de estar lá”, disse o CEO da Kallan Calçados, Rogério Shimizu. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, Omar Abdul Assaf, o setor está entendendo, cada vez mais, que “se deve trabalhar nos dois formatos”. Sentido contrário Apesar do discurso do sindicalista, nota-se que a quantidade de marcas presentes nos dois ambientes está diminuindo. Segundo a décima edição da pesquisa anual Perfil do E-Commerce Brasileiro, elaborada pela BigDataCorp, uma das maiores empresas de dados da América Latina, em 2023, a proporção de e-commerces que também contam com loja física caiu para 7,8%. Um ano antes, esse percentual era de 19% no Brasil. E-commerce segue avançando no Brasil A pesquisa Perfil do E-Commerce Brasileiro confirmou que o e-commerce segue em expansão. Para que se tenha ideia, o levantamento, que foi publicado em 2024, constatou que o número de lojas virtuais aumentou 17,14% no ano passado, chegando a mais de 2,2 milhões. Antes, o total era de 1,9 milhão. Sobre esta informação, o diretor-executivo da BigDataCorp, Thoran Rodrigues, afirmou que “o comércio eletrônico, no Brasil, segue em alta, mesmo com a retomada das atividades presenciais (após a pandemia). O setor se consolidou como uma opção conveniente, segura e diversificada para os consumidores, oferecendo uma variedade de produtos, serviços e formas de pagamento”. As declarações constam em texto publicado no site da empresa. Outro dado que chama atenção diz respeito aos marketplaces. Conforme o estudo, o número de vendedores em espaços como Mercado Livre e Amazon aumentou nos últimos dois anos, indo de 14,8% para 23,8%. Além de tudo isto, a pesquisa verificou que 81,98% das lojas virtuais marcam presença nas mídias sociais. O Facebook é a plataforma mais atualizada, mas o TikTok está avançando. Esta rede, em 2021, era usada somente por 1,26% dos estabelecimentos, mas, agora, são 20,12%.