Juliana de Martino espera por chegada de canetas à rede pública (Alexsander Ferraz/ AT) O combate à obesidade e a busca por melhor qualidade e vida têm na informação um importante aliado. Saber o que precisa ser feito, respeitando as individualidades, é preponderante para que um processo naturalmente árduo seja desenvolvido de forma mais consistente e duradoura. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Nas últimas décadas, o conceito de obesidade mudou bastante. Era muito ligado à questão estética e ao acúmulo de gordura causada pelos hábitos das pessoas. Hoje, com todo o conhecimento científico acumulado, já entendemos como algo mais complexo. É uma doença crônica, recidivante - que se a gente não cuidar, vai voltar - e complexa, ligada a fatores biológicos, neurológicos, hormonais e fatores ambientais”, resume a médica endocrinologista Juliana Dal Ben Padua de Martino. Ela explica que existem alguns critérios que definem a obesidade. “Usamos o mais clássico, o índice de massa corpórea, que leva em consideração peso e altura. Quando esse o IMC é acima de 30, é considerado obesidade, só que isso não contempla a composição corporal. Temos levado em conta essa circunferência abdominal, que mostra a quantidade de gordura acumulada na região do abdômen, e a relação cintura-altura, que é um outro parâmetro”. Juliana acrescenta que a obesidade se divide em três graus. Mesmo se o paciente consegue ter uma perda de 5% do peso, já tem melhora de parâmetros metabólicos, como diminuição de pressão arterial, glicemia e gordura no fígado. “O objetivo principal do tratamento é perder, pelo menos 10% do peso, independentemente do peso máximo que essa pessoa tenha. Já existe melhora de, por exemplo, um quadro de pré-diabetes. E quando existe uma perda de 15%, há benefícios adicionais. Então, quando a gente fala na perda de peso, tem que sempre pensar nessa proporção de porcentagem de perda de peso”. Para ela, a cirurgia bariátrica ainda é uma opção para perda de peso em determinados casos. “Para muitos pacientes, porém, não há necessidade de chegar a considerá-la. Hoje, a indicação inicial é sempre, além de todos os outros pilares, o farmacológico, como as canetas. A cirurgia vai ser pensada para aquele paciente que realmente não teve sucesso com esse tratamento”, aponta. Juliana acredita, ainda, que as canetas devem sofrer uma queda de preço, tornando o tratamento mais acessível, como o caso do SUS. Anorexia e bulimia A endocrinologista ressalta que distúrbios alimentares, como a anorexia e a bulimia, podem ser agravados com o uso das canetas. “A ideia do medicamento é trazer controle do apetite para boas escolhas”. O olhar mais cuidadoso, na visão da profissional, auxilia a lidar com alterações em mecanismos de fome, controle de apetite e saciedade. “A gente estava preocupado em tratar a obesidade, agora é em hipertratar”, destaca. Cidades da região apresentam iniciativas O combate à obesidade é visto como uma política pública de saúde mais que necessária. Por conta disso, prefeituras da Região buscam soluções e tratamentos para lidar com a questão. Em Santos, por exemplo, de acordo com a Prefeitura o primeiro atendimento no SUS de Santos para pessoas com obesidade é na policlínica de referência do local de moradia. “Após consulta com o médico, é dado prosseguimento às necessidades apontadas pelo paciente e avaliação do médico”. O Município também oferece assistência ao paciente que deseja realizar cirurgia bariátrica e possui critérios estabelecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já em São Vicente, por meio da Secretaria da Saúde (Sesau), são desenvolvidas ações de prevenção, conscientização e tratamento da obesidade, atendendo tanto adultos quanto crianças. Entre as iniciativas, destacam-se a realização de palestras educativas nas unidades de saúde. No atendimento infantil, o município oferece acompanhamento especializado para crianças de 0 a 12 anos, com suporte de nutricionista e endocrinologista infantil. O acesso ao serviço ocorre por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Estratégias de Saúde da Família (ESF), responsáveis pelo encaminhamento dos pacientes ao atendimento no CEMESV (Complexo de Especialidades Médicas de São Vicente). Em Cubatão, é feito acompanhamento individualizado multidisciplinar, por meio das consultas pessoais ou pela participação em programas como o hiperdia, de controle da pressão e diabetes, dois dos principais efeitos da obesidade. As unidades mantém ainda grupos de perda de peso e de exercícios físicos. Enquanto isso, em Praia Grande, a Unidade de Saúde da Família (Usafa) faz o acompanhamento integral do paciente em todas as fases da vida e está presente em 100% do território. O município também incentiva a prática de atividade física por meio das Academias da Saúde, Conviver e demais equipamentos municipais. No bairro Aviação, existe ainda o Núcleo Especializado em Obesidade e Metabolismo de Praia Grande (Neom-PG) serviço que visa o cuidado com pessoas obesas e distúrbios metabólicos. Em Mongaguá, destacam-se a realização de grupos específicos de obesidade e grupo de acompanhamento para usuários em preparo e seguimento de cirurgia bariátrica e atendimento multiprofissional e individualizado para crianças com sobrepeso e obesidade, entre outros cuidados. Por fim, Guarujá conta com a Unidade de Saúde Docinhos, um serviço estruturado para o acompanhamento de crianças e adolescentes de até 18 anos. Já os pacientes adultos são acompanhados pela saúde da família com apoio das equipes multiprofissionais. Ministério da Saúde O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou na última quarta-feira o investimento de R\$ 51 milhões por ano para a habilitação de 582 Academias da Saúde em 451 municípios. Esses espaços públicos, onde são ofertadas práticas de atividades físicas para a população, registraram um aumento de 95,10% nas atividades físicas desde 2023. A iniciativa integra a estratégia Viva Mais Brasil e tem como objetivo fortalecer as políticas de promoção da atividade física e ampliar a rede de cuidado às pessoas com obesidade no âmbito do SUS, com foco nas doenças crônicas não transmissíveis. “A obesidade dobrou desde 2006 até agora.A gente percebe isso no dia a dia. Então, a Academia da Saúde vai nos ajudar a enfrentar o excesso de peso, que impacta as doenças cardiovasculares, as doenças articulares e as dores que as pessoas sentem, ao mesmo tempo em que estimula a prática de atividade física, uma alimentação melhor e o convívio social”, enfatiza.