Dois painéis abordaram o tema sob diversas perspectivas no Auditório do Grupo Tribuna, em Santos (Sílvio Luiz/AT) A lei que proíbe o uso de celulares em salas de aula de todo o Brasil não deve ser vista como restritiva. A visão correta é de que se trata de um dispositivo para estimular atenção dos alunos e interações sociais, não sendo um simples impedimento de utilização. Esta é a avaliação de especialistas que participaram do primeiro fórum de 2025 do projeto A Região em Pauta, iniciativa que chega ao décimo ano de existência. O evento ocorreu nesta segunda-feira (24), no Auditório do Grupo Tribuna, em Santos, tendo como tema “Educação e Tecnologia”. Presente no segundo painel do evento, cujo nome era “As telas, a saúde e o aprendizado”, o médico Chao Lung Wen, chefe da Disciplina de Telemedicina na Faculdade de Medicina na Universidade de São Paulo (USP), primeiramente, disse que a legislação não determina o fim da utilização de smartphones no ambiente escolar. Ele explicou que só é vetado o uso de aparelhos para questões pessoais. “A lei é específica: o não uso se dá para propósitos fora da parte pedagógica durante o ensino básico”, citou, explicando que os equipamentos seguem sendo permitidos, desde que empregados em ações ligadas às aulas. O docente reiterou que a regra, sancionada no começo deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é uma “proibição, mas um estímulo à concentração e à participação” dos alunos. Segundo o médico, o intuito é transformar escolas “em santuários de desligamento, reflexão e comunicação”. O psicólogo, coordenador de Psicologia da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e doutorando em Saúde Pública Wagner Tedesco concordou. “A lei não deve ser encarada como restritiva. Ela é construtiva”. O professor também elogiou a legislação, chamando-a de “necessária e importante”. O especialista destacou que a norma traz muitos benefícios, que vão além da concentração dos alunos durante as aulas e do convívio entre estudantes. Para o convidado do fórum, diminuir o tempo de exposição ao celular vai preservar a saúde de crianças e adolescentes. “Temos uma reflexão mais profunda. Todos os vídeos são preparados para termos uma reação rápida, fazendo com que o cérebro gere dopamina. Isto se torna vício, e a ansiedade vai tomando conta. Aí, surgem problemas, que resultam em dificuldades de relacionamento, concentração e rendimento baixo”, disse, salientando que pesquisas indicam “aumento de mais de 1.500% no nível de ansiedade em jovens e adolescentes por causa do uso do celular”. Alunos sugerem diálogo Ficar na escola sem o celular não está fácil. Isso porque, para alguns, o espaço não é considerado interessante nem mesmo para se aprender. Neste sentido, a declaração mais contundente foi de Larissa Rodrigues, da Escola Estadual (EE) Esmeraldo Soares Tarquínio de Campos Filho, de São Vicente. Ela afirmou não ver “a sala de aula como lugar que vai ensinar”. Outros participantes foram menos enfáticos, embora tenham dito que mudanças são necessárias. Alice Maria de Oliveira, da EE Albino Luiz Caldas, também de São Vicente, pediu que seu colégio libere bolas e jogos. Já Pedro Henrique de Lima Silva, da Etec Ruth Cardoso, também de São Vicente, foi além. “Seria bom ter oficinas”. Ainda, Layza Laynara Amarente e Nathaly Rodrigues Yamamoto, ambas da UME 28 de Fevereiro, em Santos, falaram sentir falta, respectivamente, de “aulas de informática” e “rodas de conversa”. Laís Letícia Lima Silva, da UME Avelino da Paz Vieira concordou. A chefe da Supervisão de Ensino da Secretaria de Educação de Santos, Joana Costal, declarou: “Há diferença entre o que o aluno espera e o professor faz”. O diretor da praia-grandense EM Isabel Figueiroa Brefere, Carlos Leonardo Borges da Silva, apontou um erro. “Falta tempo para conversar com o estudante”. A criadora do projeto “E aí, vai de leitura?”, Giovanna Fachinelli, também vê no diálogo uma solução. “Temos de nos juntar para criar o que beneficie todo mundo”.