No começo do ano, graças à IA, imagens sexuais explícitas da cantora Taylor Swift foram criadas (Reprodução/Instagram) O Brasil enfrenta uma epidemia de manipulações de imagens e vídeos, as chamadas deepfakes. O alerta é do presidente da Comissão de Privacidade, Proteção de Dados e Inteligência Artificial da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Solano de Camargo. Ele também afirmou que existem pessoas cometendo suicídio por causa de conteúdos falsos criados e disseminados no universo digital. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Ao abordar o tema, o especialista citado disse que se sente perplexo. Tal sentimento parte desta situação: “Todo mundo que tem filho adolescente já ouviu alguma história de deepfake com imagens ou vídeos de coleguinhas. Pegam uma foto de rede social de uma menina e a botaram em um filme pornô”. O advogado salientou que, devido a este cenário, “existe a tendência de querer criminalizar plataformas digitais”, como Instagram, Facebook, X (antigo Twitter) e TikTok. Porém, o publicitário Paulo Henrique Farias ressaltou que estas redes sociais têm regras, que impedem a postagem de conteúdos com conotação sexual. Apesar disso, outro aplicativo, amplamente utilizado, não tem o mesmo filtro e, desta forma, merece atenção. “O pessoal faz vídeos sexualizados com o rosto (de alunos) para causar bullying na classe. Isso não dá para postar no Instagram, mas dá no WhatsApp, que não tem bloqueio de ninguém. Existem aplicativos que permitem tudo”, falou o profissional. Diante destes perigos, Camargo declarou que os pais precisam agir. Contudo, ele reconheceu que os progenitores costumam ser falhos no acompanhamento do que seus filhos fazem e consomem na rede. “Quantos fazem monitoramento do que seus filhos e filhas acessam na internet ou de como usam os celulares? Voltamos à discussão da década de 1980, quando a culpa de as crianças não estudarem era da televisão, e não dos pais, que deixaram seus filhos 24 horas do dia vendo tevê em casa”, citou. Neste sentido, o integrante da OAB-SP também criticou a abertura que se dá, no Brasil, para os mais novos mergulharem no mundo digital. “Aqui, há liberdade de acesso à internet, smartphones e redes sociais. Na França, não tem, porque os pais não deixam. Eles instalam um aplicativo, o Google Family Link, e dá 19 horas, desligam (a internet). Na Coreia, a lei obriga que servidores de jogos on-line desliguem certo horário da noite”, comparou. Assim, o painelista do evento entende que uma solução “envolve as big techs, mas também a família frente a essas novas possibilidades de agressão. Estão aumentando as tentativas de suicídio nas escolas relacionados ao deepfake feminino”, finalizou Camargo. Evolução Alguns aplicativos desenvolvem funções que podem dificultar a produção deepfakes. A professora e especialista em Design Gráfico, com especialização em Desenvolvimento Web, Gabriela Morais deu um exemplo. “Eu estava testando uma ferramenta que cria um vídeo meu sem eu precisar parar e fazer o vídeo. Achei interessante, porque ele pediu que eu fizesse um vídeo em primeira pessoa e em tempo real. Isso não tinha antigamente. Tive de botar minha cara e parar, mostrando para a ferramenta que era eu, para fazer o vídeo. Esta é uma transformação”, declarou a convidada do sexto fórum de 2024 do projeto A Região em Pauta, que possui uma empresa que avalia aplicativos e recursos que usam a inteligência artificial. Emblemático Durante sua explanação, Solano de Camargo disse que um caso de deepfake feminino que chamou atenção envolveu uma das grandes artistas do momento. “O primeiro caso foi da Taylor Swift, no X (antigo Twitter)”. No começo do ano, graças à IA, imagens sexuais explícitas da cantora foram criadas. O conteúdo era falso, mas uma das montagens chegou a ser vista 47 milhões de vezes na plataforma citada.