[[legacy_image_286564]] O Brasil tem um déficit de geriatras. Esta constatação é da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Conforme o órgão, o país tem somente 6,43% daquilo que seria o ideal para atendimento de toda a população idosa nacional. Portanto, a falta de médicos especializados beira os 94%. De acordo com os dados da entidade citada, hoje, seriam necessários 28 mil especialistas para suprir toda a demanda. Entretanto, neste momento, existem apenas 1.800 profissionais dessa especialidade credenciados. Vale destacar que, ao mesmo tempo em que a lacuna de geriatras é constatada, o número de indivíduos da terceira idade cresce no país. Segundo números da divisão de Características Gerais dos Domicílios e dos Moradores 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, que foram divulgados em junho passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com 60 anos ou mais na nação subiu para 15,1% do total. Dez anos antes, o percentual era de 11,3%. Situação santistaDurante A Região em Pauta, a assessora especial para longevidade da Prefeitura de Santos, Ana Bianca Ciarlini, foi questionada sobre a quantidade de geriatras na cidade. Em sua explanação, ela disse que, de fato, é um grande desafio a falta de geriatras no Brasil todo e, no município, também. Segundo a Prefeitura de Santos, a rede pública conta, atualmente, com dois geriatras atuando no atendimento: um no Ambulatório de Especialidades da Zona Noroeste e um no Ambesp Nelson Teixeira, a partir de encaminhamento das policlínicas. A Reportagem também perguntou se a Prefeitura entende que este número supre a necessidade local. Conforme a gestão municipal, “a quantidade de profissionais é suficiente para o atendimento da demanda atual”. Ausência de médicos é realidade na regiãoA fim de averiguar o cenário em toda a Baixada Santista, A Tribuna entrou em contato com as demais prefeituras da região, para levantar a quantidade de geriatras atendendo à população regional. Das oito cidades, ao menos quatro não possuem especialistas em cuidado da pessoa idosa. De acordo com as informações encaminhadas à reportagem, Bertioga, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe não contam com geriatras. Cubatão não especificou se há um profissional da área. O município comunicou, apenas, que “mantém o Serviço de Atenção Integral à Saúde do Idoso (SAISI), com geriatria, endocrionologia, cardiologia e outras especialidades”. Cada uma das outras cidades disponibiliza um geriatra. O de Guarujá fica no Ambulatório Municipal de Referência em Especialidades (ARE), na Vila Júlia. Já o praia-grandense realiza 250 atendimentos mensais na Rede de Especialidades Médicas do município. São Vicente não apontou em que lugar seu profissional atua. Pouco interesseAo confirmar a falta de um especialista, a administração peruibense encaminhou mais esta informação: “A Secretaria Municipal de Saúde abriu vaga para médico geriatra no último concurso público, mas não houve candidatos interessados”. Por sua vez, a Prefeitura vicentina afirmou que “a especialidade de geriatria não atrai muitos profissionais, e o número de especialistas nesta área ainda é insuficiente no Brasil para suprir a demanda”. Tal declaração vai ao encontro de um dado trazido pela assessora especial para Longevidade na Prefeitura de Santos, Ana Bianca Ciarlini. “Apenas 0,5% dos formandos (em Medicina) optam pela geriatria”, falou a convidada do evento.