Valejo destacou que os custos para a aquisição dos medicamentos são muito altos (Alexsander Ferraz/AT) O Brasil carece de uma política nacional sobre o uso da Cannabis medicinal. Esta é a conclusão de especialistas que participaram do fórum do projeto A Região em Pauta. Para eles, o Governo Federal não pode apenas observar as discussões que acontecem em outras esferas, mas deve se mover, no sentido de regular a utilização da planta e financiar os remédios. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Quem apontou a necessidade de um envolvimento maior do Executivo nacional foi o secretário santista de Saúde, Denis Valejo. Ele afirmou que o Ministério da Saúde não pode ficar inerte diante das demandas atuais. “Vemos discussões sendo feitas em âmbitos municipal e estadual, mas não existe uma política nacional implantada. Precisamos submeter o pleito ao Ministério, que não pode ficar somente vendo os debates”, disse o convidado do evento. Ele também declarou que uma das ações que poderiam ser adotadas é criar alternativas financeiras para a obtenção dos produtos. “O grande desafio do setor público é buscar uma linha de financiamento. Possuímos medicamentos de alto custo (...) O remédio é dolarizado”, frisou. Reiterando que “cidades e Estados têm dificuldades orçamentárias”, Valejo citou um exemplo, para demonstrar quanto custa, atualmente, arcar com a assitência à população. Segundo o secretário, Santos, “por demanda judicial”, ou seja, por determinação da Justiça, paga o tratamento de um paciente que, sozinho, demanda dos cofres municipais R\$ 65 mil por ano. O representante ressaltou que, com este montante, seria possível atender muitas pessoas com doenças como hipertensão. O secretário usou esse caso como exemplo de que é preciso mais mobilização federal. “"É necessário criar uma política pública. O fornecimento (de remédios) é função das cidades, assim como monitorar pacientes. O Ministério da Saúde deve comprar o medicamento e distribuir”. Em sintonia Ao ouvir Valejo, a diretora técnica de Saúde do Grupo de Planejamento e Articulação das Ações de Assistência Farmacêutica da Coordenadoria de Assistência Farmacêutica, da Secretaria Estadual de Saúde, Renata Zaidan dos Santos Tupinambá, concordou: o ideal seria a entrada do governo no debate, inclusive por conta da proibição que existe de se cultivar a planta que dá origem ao canabidiol (CBD) e a outras substâncias. “Entendo que um movimento nacional é importante, pois a proibição existe. Então, esta movimentação seria essencial”, disse a representante do Governo do Estado.