Pela meta estabelecida no PNE, o ensino integral deve ser oferecido aos alunos de todas as etapas (Adobe Stock) Brasil alcançou, em 2025, o maior percentual de estudantes em tempo integral da educação básica dos últimos quatro anos. Dados do Censo Escolar divulgados quinta-feira mostram que, entre 2021 e 2025, a proporção de matrículas presenciais em tempo integral na rede pública cresceu 10,7% pontos percentuais, passando de 15,1% para 25,8%. No ensino médio, o avanço também foi expressivo: de 16,7%, em 2022, para 26,8%, em 2025. Com isso, o País atingiu a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece o atendimento de, no mínimo, 25% dos alunos da educação básica da rede pública em jornada ampliada. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Outros dados Realizado anualmente, o Censo contabiliza 46 milhões de matrículas em 178,8 mil escolas públicas e privadas. Os resultados foram apresentados pelo ministro da Educação, Camilo Santana, em coletiva realizada em Manaus (AM). Segundo ele, o desempenho reflete a prioridade dada à política de ampliação da jornada escolar. “Pela primeira vez na história, chegamos a esse número tão expressivo e importante para a nossa educação”, afirmou. De acordo com o MEC, desde 2023 foram investidos R\$ 4 bilhões no Programa Escola em Tempo Integral, criado para apoiar estados e municípios na expansão de matrículas com jornada igual ou superior a sete horas diárias ou 35 horas semanais. Novo PNE A meta cumprida integra o PNE 2014-2024, instituído pela Lei 13.005/2014 e prorrogado até 31 de dezembro de 2025 para evitar lacunas no planejamento educacional. A Meta 6 determina oferecer educação em tempo integral em ao menos 50% das escolas públicas, de modo a atender pelo menos 25% dos alunos da educação básica. O plano não impõe obrigação direta a cada escola, mas vincula União, estados e municípios a metas, estratégias e financiamento, em regime de colaboração. Na prática, a expansão exige reorganização das redes de ensino, com garantia de infraestrutura, alimentação, transporte, equipes e oferta curricular adequada. As escolas, por sua vez, precisam adaptar projetos pedagógicos e rotinas para assegurar que a jornada ampliada seja permanente, articulada ao currículo e comprometida com inclusão e equidade — não apenas com atividades eventuais. O novo projeto de lei que deverá substituir o atual PNE, o PL 2.614/2024, já está em análise no Senado e prevê um novo ciclo decenal, mantendo metas, monitoramento e participação social como eixos centrais da política educacional brasileira.