[[legacy_image_285483]] A ciência avança e, assim, surgem remédios que prometem interromper doenças degenerativas, como o Alzheimer. Porém, apesar dos medicamentos, os melhores resultados para uma longevidade saudável ainda vêm de bons hábitos, fazer amigos e investir em atividades físicas. Esta foi a opinião dos participantes do sexto evento do programa A Região em Pauta de 2023. O seminário foi realizado nesta terça-feira (1º), no auditório do Grupo Tribuna. Desta vez, o tema foi Terceira Idade. Primeiro convidado a falar, o médico Acary Souza Bule ressaltou que, com o passar do tempo, o cérebro sofre alterações, podendo desenvolver demências. Contudo, segundo ele, que também é neurologista e professor da Faculdade de Medicina da Unifesp, esta patologia poderia ser adiada se se as pessoas cuidassem de estilo de vida. “As condições que aumentam o risco são idade, história familiar, doenças controláveis, como da tireoide, traumas (na cabeça) e baixo nível educacional. O que reduz o risco é leitura e evitar substâncias como o fumo. Uma dieta adequada, variada e rica em Ômega 3 (também ajuda). Além disso, o melhor remédio é atividade física”. A assessora especial para Longevidade na Prefeitura de Santos, Ana Bianca Ciarlini, concordou. “Alguns fatores são determinantes (para desenvolver doenças). Vinte e cinco por cento são herança genética, enquanto 75% são escolhas. Pensar positivo para este envelhecimento saudável faz você ter oito anos a mais de vida”. A assistente técnica da gerência de Estudos e Programas Sociais do Sesc Santos, Rosângela Barbalacco, citou outro elemento importante, a fim de se manter a saúde mental. “Um estudo americano pegou meninos de 13 anos e os acompanhou até os 70. Queriam descobrir o que era essencial para a felicidade e quem viveu mais. Viveu mais quem tinha melhores relações afetivas, com família, amigos e se relacionava melhor com as outras pessoas”, relatou ao longo do terceiro painel. A co-fundadora do site Divertidosos, Mônika Gargantini, disse que os recursos tecnológicos podem ajudar neste sentido. “Sempre demos importância à tecnologia associada à socialização. Acreditamos que, através dela, reunimos as pessoas”. A psiquiatra e psicogeriatra do Hospital das Clínicas Natália Rossi reforçou que ter, desde cedo, um estilo de vida correto é melhor do que qualquer medicamento. “Muita gente se pergunta se vai ter acesso a remédio, mas será que estamos fazendo o básico?”. MetasPor fim, o diretor do Supera - Ginástica para o Cérebro, Paulo Wandenkolk, falou que “nós, no processo de envelhecimento, devemos criar nossos objetivos, por mais que tenhamos mais de 50, 60 ou 70 anos”. PotencialOs países desenvolvidos já enxergam no público de mais de 60 anos um potencial gerador de riqueza. Mas, naquela que é chamada Economia da Longevidade, o Brasil patina. Sem investimentos, a nação corre o risco de perder muito dinheiro para o mercado internacional. O alerta é do jornalista e escritor Jorge Felix, comentarista de longevidade da Rede Globo. Ele participou do Fórum no segundo painel do evento. “Existe uma geopolítica do envelhecimento. Há disputa de poder sobre as inovações (voltadas a idosos). No Brasil, estamos dependentes de produtos (de fora), e a riqueza desta inovação não fica aqui. O lucro vai para o exterior”. Reiterando que o país “precisa avançar”, Felix ressaltou que “o envelhecimento não determina negativamente o crescimento econômico. Pelo contrário. O Brasil está envelhecendo muito rapidamente, mas ainda está em processo. Então, deveria aproveitar esta vantagem para investir em pesquisa e desenvolvimento”. A Tribuna publica, neste domingo, um caderno especial do sexto fórum do programa A Região em Pauta. Nele, estarão informações aprofundadas de tudo que o ocorreu no evento.