Capitã Fúlvia Guisini citou cinco queixas feitas pelo modo integrado em apenas 48 horas: eficiência (Alexsander Ferraz/AT) A violência contra a mulher não tem hora para ocorrer. E a primeira voz de apoio quando algo desse porte ocorre está na esfera policial. Com experiência no trato de situações do tipo, a comandante da 4ª Companhia da PM em Santos, capitã Fúlvia Guisini, a adoção do boletim de ocorrência integrado, cujo projeto piloto em Santos começou no último dia 30, já dá os primeiros frutos - em menos de 48 horas, foram cinco queixas formuladas por esta modalidade. “Sempre tivemos muitas subnotificações. Ocorrências eram cadastradas como desinteligência ou uma briga e não como violência doméstica. Precisávamos de um mecanismo eficiente para que conseguíssemos ter uma estatística, porque só se discute quando tem números para comprovar”, aponta. Ela reforça que, a partir do momento do boletim de ocorrência integrado, o que a PM fez no local vai direto para a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de forma online. “Ali, se pergunta se ela deseja medida protetiva e são explicadas quais são as medidas que ela pode buscar. A PM vai tomar todas as providências sem que a mulher saia de casa. E, ainda que precise sair, conseguimos fazer o abrigamento dela”. Na ponta A capitã Fúlvia lembra que, na Zona Noroeste, há diversos casos e a Polícia Militar atua emergencialmente, no sentido de apoiar e prestar o devido encaminhamento daquela vítima de violência. “Nós aplicamos o direito na ponta da linha, na madrugada, com chuva, com sol”, conta. Ela relata que, em algumas situações, vai ao mesmo endereço diversas vezes para atender uma vítima de violência, mas se depara com uma situação de impotência perante circunstâncias que envolvem aquele caso. “A vítima está envolta em várias coisas que, muitas vezes, levam à dificuldade de denunciar”, reforça. Entre as possibilidades de apoio, estão iniciativas como o aplicativo SP Mulher Segura, a Patrulha Maria da Penha e a Cabine Lilás, serviço da Secretaria de Segurança Pública que atende via 190, com acolhimento humanizado, orientação jurídica, suporte para denúncias e acionamento de rede de proteção.