Regiões como Gramado, no Rio Grande do Sul, são exemplos de como a organização pode beneficiar diversas cidades próximas. com roteiros ampliados e vários tipos de atrações (AdobeStock) Uma solução pensada de forma individual em uma região conurbada como a Baixada Santista soa equivocada. No caso do turismo, com possibilidades de atrações, passeios e eventos ao longo dos municípios, o erro é ainda mais evidente. Por isso, a ideia de uma Instância de Governança Regional (IGR) soa como o caminho a ser seguido. Porém, a caminhada para tirá-lo do papel ainda é grande. Ela passa, necessariamente, pela aceitação das cidades, conforme raciocina a turismóloga e mestre em Inovação Tecnológica, Ana Raquel Almeida Dias. “Essa IGR vai ser formada por meio de uma associação, com um CNPJ. A partir dela, todos os municípios conseguem liberar verba para manter essa estrutura e, depois, obter aportes junto aos governos federal e estadual, para que as ações possam acontecer”, explica. A presença da sociedade civil e, em especial, da iniciativa privada, na sua visão, é o que deve garantir equilíbrio na gestão do órgão. “A presidência tem que vir da iniciativa privada para não ficar preso a questões políticas”, emenda. Contratação de serviços Ana Raquel lembra que, além do drible na burocracia para realização de ações, a formação de uma IGR traz outros benefícios às cidades integrantes. “Uma pesquisa como a que foi feita em Santos, se feita em âmbito regional, poderia direcionar um norte para várias décadas. Com um planejamento baseado em dados, é possível estabelecer metas factíveis”, emenda. A contratação e capacitação de profissionais também seria impulsionada com a estruturação do turismo em âmbito regional. “A ideia é conseguir trazer outras pessoas para dentro da IGR, trazendo profissionais e retendo talento aqui. Caso contrário, eles continuarão indo embora”. Ela entende que os diversos benefícios serão suficientes para garantir a mobilização dos municípios em torno de uma iniciativa desse tipo. “Quando começam a enxergar que, por meio dessa IGR, com planejamento e organização, as coisas estão acontecendo, começam também a liberar o dinheiro para dentro dessa associação. Porque ele vai falar: ‘Eu tiro do colo do secretário diversas demandas que ele não precisa estar preocupado porque tem alguém, uma instituição fazendo isso. Para mim, vai ser melhor’. Os governos começam a pensar que é o melhor caminho para conseguir fazer a coisa acontecer, com outros tipos de auxílio”. Ela acrescenta que a importância da integração regional se impõe por conta de um turismo mais amplo e de real alcance regional. “Quando você tiver essa instituição, e sobretudo na questão da divulgação da cidade, fará toda a diferença. Quando você tem um CNPJ que te ajuda a estruturar tudo isso, vai ficar mais fácil profissionalizar a mão de obra, gerar certificados e qualificar o turismo regional”, conclui. “Essa IGR vai ser formada por meio de uma associação, com um CNPJ. A partir dela, todos os municípios conseguem liberar verba para manter essa estrutura e depois obter aportes junto aos governos federal e estadual”, Ana Raquel Almeida Dias, turismóloga e mestre em inovação tecnológica (Alexsander Ferraz/AT) Destaque: 60+ Durante o evento, foi levantada a preocupação com o turismo voltado para a faixa etária acima de 60 anos. Thiago Papa, secretário de Turismo de Santos, defendeu que a cidade está pronta para recepcionar essa parcela de turistas, até pela grande presença entre os habitantes. Ana Raquel Almeida Dias, porém, faz um alerta sobre o que representa esse segmento para o trade turístico. “O turismo 60+, hoje não é o de quando a minha avó tinha essa faixa etária. O meu pai, que tem 82 anos, veio para São Vicente andar de paraglider. Claro que há questões de acessibilidade, mas o turista 60+, atualmente, faz qualquer atividade”, descreve.