(Oédson Alves/Agência Brasil) A discussão sobre educação em tempo integral precisa avançar para além da matemática das horas. Ampliar a permanência do aluno na escola é, sem dúvida, uma meta prevista no Plano Nacional de Educação (PNE) e um compromisso importante do País com o futuro. Mas reduzir essa pauta a uma simples extensão de jornada é desperdiçar uma oportunidade histórica: a de compreender o tempo integral como educação integral. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Educação integral não é apenas ficar mais tempo na sala de aula. É ampliar repertórios, fortalecer vínculos, diversificar experiências e enxergar o estudante em sua totalidade: cognitiva, emocional, cultural e social. É integrar esporte, arte, ciência, tecnologia, cidadania e projeto de vida ao currículo, de forma estruturada e intencional. É transformar a escola em um espaço ainda mais potente de desenvolvimento humano. O Brasil já acumula experiências valiosas nessa direção. Muito antes de a meta do tempo integral ganhar centralidade nas políticas públicas, redes municipais e estaduais construíram projetos consistentes, inovadores e eficazes. São iniciativas que valorizam o protagonismo estudantil, investem na formação continuada de professores, estimulam parcerias com a comunidade e mostram que é possível fazer educação de qualidade mesmo em cenários desafiadores. É preciso reconhecer: há muitas escolas públicas de excelência na região. Há diretores comprometidos, que lideram com visão e sensibilidade. Há professores que reinventam práticas, que estudam, que acompanham cada aluno de perto e que acreditam na educação como ferramenta de transformação social. Essas histórias nem sempre ganham a visibilidade que merecem, mas existem e produzem resultados concretos. Quando se fala em tempo integral, portanto, não partimos do zero. Partimos de uma base construída com esforço, criatividade e dedicação. A ampliação da jornada pode e deve servir como catalisador para fortalecer o que já dá certo. Pode ser a chance de estruturar melhor projetos interdisciplinares, ampliar atividades culturais e esportivas, oferecer apoio pedagógico mais consistente e aprofundar o diálogo com as famílias. Naturalmente, isso exige investimento. Infraestrutura adequada, alimentação de qualidade, valorização profissional e planejamento são condições indispensáveis. Não se trata apenas de abrir os portões por mais horas, mas de garantir que esse tempo adicional seja significativo. Quando o investimento é bem direcionado, os resultados aparecem: melhora no desempenho acadêmico, redução da evasão, fortalecimento do vínculo com a escola e maior perspectiva de futuro para crianças e jovens. A educação pública brasileira enfrenta desafios conhecidos. Mas também carrega uma potência imensa. Apostar na educação em tempo integral, compreendida como formação integral, é apostar nessa potência. O tempo pode ser ampliado. Mas é o sentido que transforma. Arminda Augusto. Gerente de Projetos do Grupo Tribuna