[[legacy_image_309366]] Especialistas e os jovens que compuseram a lista de participantes de A Região em Pauta concordaram: é um desafio pais e filhos se tornarem amigos. Todos disseram que leva tempo para que o adolescente confie nos progenitores, passando a fazer deles participantes de seus sonhos, lutas e dores. Por isso, é necessário que este processo seja revestido de paciência. Alessandra Mazzotta rechaçou a possibilidade de um jovem se abrir logo de cara. Por isso, ela afirmou que se deve agir com calma. “Eles são desconfiados, e os pais vão se propor a construir um vínculo. Na hora que a pessoa se sentir à vontade e confiante de que você não vai tirar sarro, diminuir ou contar algo para outras pessoas, ela começa a contar, mas do jeito dela. Um adolescente não fala como estamos conversando. Falam de um jeito diferente, às vezes perigoso, se cortando, usando substancias em demasia, com tentativa de suicídio”, avisou. Foi isto que aconteceu com o escritor Marcos Martinz. Enclausurado em sua depressão, o então estudante dos ensinos Fundamental e Médio viu sua família se mover, principalmente sua mãe, tentando compreender seu mundo, para acessá-lo. “Ela não gosta de ler, não é de leitura, mas lia livro e perguntava o que eu achava. Queria saber o que eu gostava de assistir, para assistir comigo. São coisas que me trouxeram segurança”, contou o escritor, que já está na universidade. Martinz admitiu que a paciência da família foi importante em seu processo de recuperação. “Fez diferença. Minha mãe foi devagarinho, adentrando meu mundo, descobrindo o que eu gostava e sendo amiga”. Hora de agirA partir do momento em que um vínculo for estabelecido, os progenitores devem começar a direcionar seus filhos, ajudando-os a superar as adversidades e ensinando-os. Contudo, aqui também vale a “palavra-chave”: paciência. “A partir do diálogo, da troca, precisa-se trabalhar um movimento de conscientização no tempo dele, não do adulto. Não adiante a mãe ficar desesperada e tentar enfiar tudo goela abaixo. O adolescente não vai absorver. Existe um tempo biológico e psíquico (a ser respeitado)”, frisou A a psicanalista. Um pedido para os filhos: compreensão As dificuldades de relacionamento entre pais e filhos, durante a adolescência, são comuns. E, normalmente, os progenitores são criticados por suas “crias”. No entanto, convidados de A Região em Pauta fizeram um pedido aos jovens: não demonizar aqueles que os geraram e têm a responsabilidade de cuidar deles. “Os pais estão aprendendo a ser pais neste momento. Além disso, a adolescência deles, muitas vezes, foi mal resolvida”, disse Alessandra Mazzotta, argumentando que, em diversos casos, os progenitores não tiveram quem conversasse com eles e os ajudassem antes da maioridade, complicando a tarefa de ajudar seus filhos antes da vida adulta. A psicanalista afirmou, ainda, que esta “é uma época sofrida, delicada” também para eles, não só para o adolescente. Diante disso e do peso oriundo da criação, o escritor Marcos Martinz falou que o jovem necessita de um olhar mais empático. “Família é insistência no outro, querer o melhor. Então, paciência com os pais. Às vezes, eles são assim porque, na época deles, não tiveram um papo legal”, ponderou. O artista ressaltou que, talvez, o comportamento indesejado dos mais velhos venha de problemas ou doenças. E quem pode ajudá-los a superar momentos adversos? Os filhos. “Sua mãe pode ter um quadro de ansiedade, e o seu pai, de depressão. E você tem condição de ser a primeira pessoa a trazer isso para a mesa”, frisou. O escritor finalizou sua explanação, assegurando: “Nenhuma família é 100% funcional. Não existe família perfeita, e toda comunicação vai ter ruído, por mais que intenção seja boa”. Modo de conversar não é unânimeO jeito de se conversar com os adolescentes também foi assunto. Isso porque houve discordância entre os convidados. Enquanto os mais novos afirmaram que sentem falta de uma diálogo mais jovem com os pais, Alessandra Mazzotta disse que isto não é necessário. Quem tocou no assunto primeiro foi a aluna Giovanna Senna, que está no Ensino Fundamental e é vereadora da Câmara Jovem de Santos. A menina admitiu que deixa de tocar em determinados assuntos com seus progenitores. [[legacy_image_309367]] “Pai tem de conversar como jovem. Conto para a professora Thatianna (Antunes, da UME Pedro II) coisas que não falo para meus pais. É como se ela tivesse minha idade. Ela tem linguagem jovem”, destacou, ressaltando que falar como um adolescente é se expressar “com um pouco menos de maturidade”. A psicanalista não concordou. “Penso que os pais não precisam ser amigos dos filhos. Precisam ser amigáveis. Quando a professora escuta aluno, ela não está sendo mãe, mas outro adulto confiável e, por isso, pode ter uma linguagem mais amiga. É imporatnte ter equilibrio”. Alessandra complementou seu raciocíno, explicando o que é um progenitor amigável. “É aquele que, antes de conversar, escuta”.