[[legacy_image_165878]] Diz o Artigo 205 da Constituição: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. A ideia de educar depende de uma união de esforços e faz parte da Carta Magna do País. A tarefa é cumpri-la na plenitude. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No entanto, após um longo período longe das escolas, estudantes sofrem com a defasagem acentuada pelos dois anos de pandemia. O caminho da retomada é longo, tortuoso, repleto de desafios. Mas possível. Essa é a mensagem passada durante o primeiro encontro do projeto A Região em Pauta deste ano, realizado no auditório do Grupo Tribuna na última segunda-feira. Mediado pela gerente de Projetos e Relações Institucionais, Arminda Augusto, o evento teve como tema “Retomada da Educação: o Papel da Escola e do Professor”. Divididos em dois painéis, os debates reuniram especialistas e autoridades. Este caderno complementa a discussão. O tamanho do problema a ser enfrentado nessa volta às aulas presenciais foi dissecado com números e exemplos preocupantes. Falta de atenção, crises de ansiedade, baixa capacidade de compreensão de conteúdos simples. Tudo isso num caldeirão que também possui pobreza, problemas familiares e deficiências estruturais do Poder Público. Em função disso, é consenso de que a Educação, ainda mais agora, é pauta absolutamente prioritária. “Ou a sociedade percebe o tamanho da lacuna que a gente tem que enfrentar, e todos nós nos unimos - sociedade civil, Poder Público, municípios, Poder Executivo, Poder Legislativo. Todo mundo parar o que está fazendo e dar atenção para o tema. Todo mundo gosta de falar de Educação. Mas agora é hora de agir para que a gente consiga restabelecer o sonho desses jovens. É um compromisso que temos com eles”, resume Regina Spada, dirigente regional de Ensino de São Vicente. João Bosco Braga Guimarães, dirigente regional de Ensino de Santos, vai na mesma linha. “A Educação não pode pagar a conta do País. Não é justo que nossos alunos paguem a conta de tanto tempo fora da escola. Foi quando começou toda a luta para que esses alunos voltassem para a unidade escolar. E a gente poder começar a reconstruir, então, a história da Educação”, avalia. Importância da escolaA pandemia mostrou que algumas coisas são indispensáveis. A unidade escolar é um exemplo. O tempo de ausência afetou alunos, professores, funcionários e gestores. No caso dos estudantes, a tarefa é transformar esse período desperdiçado em um recomeço. “Nosso desafio é potencializar esses saberes que eles trouxeram, acolher as relações emocionais, porque a gente também aprende dividindo, discutindo. O saber, o chão de escola, nada substitui”, acredita Nivea Marsili, secretária de Educação de São Vicente. Israel Batista de Oliveira, coordenador de ensinos Fundamental e Médio de Praia Grande, por sua vez, aponta uma preocupação que vai além das salas de aula; o contexto onde boa parte do alunado está inserido e o que carrega dele. “A maioria da nossa população enfrenta uma situação difícil. E a pandemia talvez tenha acentuado isso, despertado algo nas pessoas. Isso gerou uma falta de comunicação. Porque você, primeiro, precisa ouvir para poder falar. Algo muito bom que algumas escolas nos colocaram é que estão fazendo atividades que reúnem o maior número de pessoas no sentido de escutar”, pondera. O verbo é retomar – mas com inteligência e ações concretas.