Para a nutricionista Vivian Toledo, cultura obesogênica se disseminou (Alexsander Ferraz/ AT) A bala na bolsa, uma paradinha para um fast food, um convite aceito para uma doceria. Tudo isso é muito atraente, mas também oferta problemas com a balança. A reeducação alimentar é parte decisiva na luta contra a obesidade. Mas, aqui, não há espaço para aventuras: qualquer modificação deve ser acompanhada por especialistas e planejamento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a nutricionista especializada em Nutrição Clínica Vivian Toledo, a mudança nos hábitos alimentares veio com o passar do tempo, em um contraste com períodos onde a desnutrição era uma realidade alarmante. “Lembro nas escolas que eu só tinha uma coleguinha obesa, e hoje é bem diferente. A gente vai à praia e vê famílias de obesos. Então, ter um ambiente obesogênico colabora com esse quadro”. Ela lembra que a atratividade de comidas calóricas é exercitada especialmente nas redes sociais, oferecendo risco para adultos e crianças. “Somos bombardeados o tempo todo com propaganda de comida. Abre o celular e lá vem aquela propaganda de pizza ou de bolos de chocolate, por conta do tal algoritmo. E a facilidade de acesso, quando essa comida chega rapidamente à nossa casa, também deve ser observada”, pontua, lembrando que algumas empresas mantêm programas de estímulo à qualidade de vida, que podem ajudar nesse processo. Apoio familiar Vivian lembra um outro obstáculo que poderia ser resolvido mais facilmente, mas nem sempre é o que acontece: o apoio dentro de casa. Para ela, se a alimentação da família não mudar de forma geral, a tarefa de quem tem urgência na perda de peso pode ficar comprometida. “Alguns pacientes falam: ‘Ah, mas só eu vou mudar na minha casa?’ Alguns sofrem bullying quando começam a mudar. ‘Minha mãe falou que não vai deixar de comer fritura’. Tem que ter uma rede de apoio. Então, tudo isso acaba boicotando essa pessoa que quer mudar. Parece simples, mas não é tão assim, quando se depende da família, de um todo, para mudar”, reforça. A nutricionista tem um conselho básico para a mudança na alimentação: desembalem menos e descasquem mais, com menos ultraprocessados e mais frutas, legumes e verduras. “A alimentação dos tempos dos nossos avós, com arroz, feijão e horários certinhos sumiu. Estão deixando de jantar para comer sanduíche. É pão de manhã, à tarde e à noite”, alerta. Mudança de vida exige compromisso total A obesidade pode ser definida como causa de uma “mente inflamada”. É o que explica a farmacêutica Priscilla Sartori, da Clínica Solle Saúde Integrada. Segundo ela, esse processo inflamatório faz com que, por exemplo, seja minada a vontade de praticar exercícios físicos. E mudar o estilo de vida por completo é essencial. Idas a restaurantes do estilo fast food não colaboram para a alimentação saudável; comida afeta organismo (Adobe Stock) “A obesidade faz com que o sono fique mais conturbado, que aumenta a probabilidade de querer comer comidas gordurosas e calóricas. São mecanismos cerebrais que o nosso corpo arruma como fuga”, afirma. Segundo ela, as canetas emagrecedoras têm poder antiiflamatório, mas é importante um acompanhamento nutricional, não para fazer uma dieta restritiva. “O objetivo é aprender a fazer melhores escolhas alimentares, ou seja, alimentos que, de fato, vão nutrir esse corpo e não apenas satisfazer uma vontade momentânea”. Priscila ressalta que a importância do combate à obesidade reside na luta contra uma doença limitante. “Ela incapacita o indivíduo, aumenta a mortalidade e o predispõe no desenvolvimento de outras doenças metabólicas, como diabetes, hipertensão, aumento do colesterol”, lista. Escapadas e crianças A especialista reforça que as “escapadas” em meio a um processo de redução de peso não ajudam em nada. “Nosso corpo não entende em qual dia da semana estamos. Somos animais que gostamos de rotina. No dia em que você “se permite”, sobrecarrega o sistema hepático. Além disso, a dopamina, que é o neurotransmissor da felicidade, é hiperestimulada por comidas gordurosas”. Priscila compreende que a obesidade infantil é um dos problemas mais urgentes a serem combatidos. “A gente molda o nosso paladar. Ninguém nasce gostando de whey protein. E quando se fala da obesidade infantil, a gente traz isso para dentro de casa. Os filhos são reflexos dos nossos comportamentos. A família tem que ter consciência de que o padrão alimentar do lar deve ser único”.