[[legacy_image_257698]] A dez anos do limite estabelecido pelo Marco Regulatório do Saneamento para que a população brasileira tenha níveis de 99% de abastecimento de água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto, somente duas cidades da Baixada Santista já atingiram todas as metas. Além disso, três municípios estão abaixo em ambos os serviços. Assim, de modo geral, a região está aquém dos percentuais estabelecidos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Conforme dados da Sabesp, a maior discrepância está no quesito coleta. Somando as nove cidades, este indicador é de 84,32%. Com relação ao fornecimento do bem natural, fica em 96,39%. Os municípios em melhores condições são Santos e Mongaguá. Eles possuem, respectivamente, 99,97% e 99,99% em abastecimento. Sobre o esgoto, os números são 99,4% e 90,07%. Na outra ponta do ranking está Cubatão. O município é o antepenúltimo na lista do recebimento do líquido potável, com 88,87%, e o lanterna, com 57,72%, quando o assunto é coleta. As outras duas cidades que não bateram nenhuma das marcas são Bertioga e Guarujá (veja os detalhes nos gráficos). A respeito deste quadro, o ex-presidente da Sabesp e coordenador do Centro de Infraestrutura e Soluções Ambientais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Gesner Oliveira, dá sua opinião, apontando possíveis razões para a diferença entre as localidades. “De certa forma, as habitações irregulares respondem por parte da disparidade. Isso tem efeito na balneabilidade de praias, bem como poluição de córregos, rios e canais. No entanto, também passa pela questão de planejamento de cada cidade. É preciso que o Plano Diretor seja bem articulado com o plano de esgoto e água. Prefeitos e Câmaras devem dar prioridade ao saneamento”, disse. Imprecisão Independentemente dos possíveis motivos que criam o distanciamento entre municípios da região, outro aspecto preocupa o secretário de Meio Ambiente de Guarujá, Sidnei Aranha. Para ele, os números oficiais não são precisos, pois não contabilizam ligações irregulares. Desta maneira, em sua avaliação, os índices podem ser piores do que os divulgados, afetando negativamente qualquer planejamento da Sabesp. “Nós não sabemos quantas pessoas temos de atender”, disse. “Os contratos estão sob a ótica de área atendida, não de população atendida. Só que o atendimento deveria ser para todos, mesmo aqueles que habitam em locais pendentes de regularização fundiária. Guarujá tem 320 mil habitantes, e um terço está em área irregular”.