[[legacy_image_267058]] Hoje consolidada como parte efetiva da prova, com 4 mil dos 21 mil inscritos no 37º 10 KM Tribuna FM-Terracom, a caminhada esportiva teve seus “primeiros passos” no evento ainda em 1995. Naquela época não existia esse tipo de participação, as disputas eram exclusivas para corredores, mas por ideia de um empresário surgiu o embrião dos caminhantes largando junto, ao final dos participantes. Era o grupo “Os últimos serão os últimos”, também conhecido como Arrastão da Saúde, criado por Geraldo Pierotti, que logo em sua estreia ganhou a adesão de 250 participantes, um recorde para aquele momento e diante da quantidade de corredores – no total foram 3.152 inscritos. A iniciativa também foi uma das primeiras equipes uniformizadas na prova, que hoje se tornou tradição e reúne milhares de pessoas. Antes deles, apenas a Memorial tinha feito um pelotão. Usando a camisa com os dizeres “Os últimos serão os últimos” os participantes completaram a prova em uma hora e meia, bem acima do que era habitualmente feito. A experiência foi repetida nos dois anos seguintes, mantendo uma grande adesão, inclusive de personalidades, como o ator Nuno Leal Maia e vários atletas da Cidade. Mais do que criar uma nova modalidade, o grupo tinha uma finalidade social, arrecadando fundos com a venda da camiseta usada por cada um, para ajudar o ex-ultramaratonista Eliziário dos Santos, o Motorzinho, que ficou paraplégico após levar um tiro em um assalto na loja onde trabalhava. “Em 1995 saímos com cerca de 250 integrantes; em 96 foram 400; e 97, cerca de 500, embora vendemos 1.100 camisetas. Acredito que foi um grande sucesso, um marco, que tanto que quando decidi me retirar, fui homenageado pelo Grupo Tribuna, com dois troféus de reconhecimento, um para o Arrastão e outro para mim”, conta Geraldo. Mas como surgiu a ideia desse inédito grupo, que anos mais tarde impulsionou as caminhadas. Em 1994, Geraldo era triatleta e depois de problemas de arritmia cardíaca foi proibido de fazer atividade física. Depois de insistir com o médico, acabou liberado em março de 95 para atividade não competitiva, desde que seus batimentos não ultrapassassem 130 BPM. “Feliz com a liberação fui correr 10 km usando frequencímetro e observei que com esse limite, levei cerca de 90 minutos. Vendo os resultados dos anos anteriores dos 10 KM, percebi que os últimos corredores chegavam em cerca de 70 minutos e isso me deu receio de quando eu chegasse não teria ninguém e a prova já estaria sendo desmontada”, revela. [[legacy_image_267059]] Foi aí que surgiu a inspiração de levar o fato com bom humor, com a frase “Os últimos serão os últimos” para a sua camiseta na prova de 95. “Contei para o Amin Lascane, grande amigo e companheiro de treinos e provas e ele imediatamente falou: eu vou com você. Contou para o Mosquito (José Renato Borges), na época um dos melhores triatletas do Brasil e o Wilson de Almeida Ferreira, que logo aderiram. Depois os triatletas Emerson Gomes, Fred Luiz Monteiro, Zé Miaysiro, o Juarez, da Academia Mahatma, o ultramaratonista Valmir Nunes e muitos outros foram compondo”, recorda. “Isso chamou a atenção da imprensa, dei entrevistas convidando as pessoas que praticavam corrida leve e recreativa para que se juntassem ao nosso grupo, sem medo de chegar em último, pois eu seria o último a passar pelo funil. Sempre ressaltando a vontade de participar sem espírito competitivo, mas com intuito de recreação, preservação da saúde, qualidade de vida”, complementa. Segundo ele, rapidamente chegaram a 250 inscritos no grupo, muitos participando pela primeira vez. “Tenho a convicção e orgulho de que o Arrastão da Saúde encorajou as pessoas a participar dos 10 Km Tribuna FM e foi o grande divisor de águas para que a prova deixasse de ser uma importante corrida para atletas competitivos e se tornar o segundo maior evento do Brasil”, ressalta. “Lembro que depois da prova, o Roberto Mario Santini me disse: Muito obrigado pelo que você faz pela prova. O povo não vai embora enquanto o Arrastão não chega”, completa.