[[legacy_image_238121]] O que é cinza, aos poucos vai ganhando cor – inclusive a vida – por força e obra do projeto Palafitas. Criado em 2009, em uma parceria entre o Instituto Arte no Dique, de Santos, e o artista plástico Maurício Adinolfi, o projeto propõe a revitalização das casas de palafita do Dique da Vila Gilda, mas pela via da arte. “Fui convidado pela própria comunidade, querendo desenvolver a arte; e vi uma situação de emergência (nas casas)”, resume Maurício. A partir desse diagnóstico, o artista desenvolveu a ideia, com o ponto central de se comprar os madeirites. “Para substituir nas casas, porque eles não têm condições”. Com o padrão de 2,2 metro x 1,1 metro, os madeirites se transformam em um mural para receber a pintura dos moradores, em motivos que eles escolhem, mas não de maneira aleatória. A partir de uma oficina, eles aprendem técnicas de impermeabilização e de pintura, com esmalte sintético. Neste semestre, 35 casas estão sendo reformadas pela arte. “Nas oficinas, apresentamos imagens de contexto, de pintura expandida, para ser aplicada nas casas”, explica Maurício. Arte socialUm viés da iniciativa é explorar novas possibilidades da pintura no mundo, sob um olhar ético e transformador. “É uma forma de sair do ateliê, levar conscientização e reflexão a questões sociais, no caso, da estrutura desse problema (da habitação)”, explica Maurício, que é santista, mas radicado em São Paulo. A principal inspiração de seu trabalho como artista plástico é a vida caiçara, especialmente a parte ligada à pesca. “É um momento de lazer, de convívio pela arte, mas de olhar para essa situação de emergência”, afirma Maurício sobre o projeto. LindoO nome é Helena Maria da Silva, mas ela é mais conhecida por Milena – fruto de um carinhoso imbróglio familiar entre o pai e a mãe. “Família queria Milena, acabou prevalecendo o Helena da minha mãe na certidão, mas todo mundo acabou adotando o Milena”, resume. Para ela, tanto faz: Helena, Milena, com que nome for, não perde o projeto por nada no mundo. “É maravilhoso”, resume. Ela gostou tanto, que hoje é contratada para auxiliar na organização das oficinas. Aos 53 anos, morando com dois netos de 10 e 6 anos, em uma casa de palafita, com dois quartos, sala e cozinha. Segundo ela explica, são 10 pessoas por semana participam. A partir da ideia inicial, cada um vai acrescentando a sua própria visão de como deve ser a pintura. “As pessoas nem dormem direito pensando em que pintura farão. É uma terapia, É lindo para a comunidade”. RedespertarJenifer Martins Nascimento, de 36 anos, soube do projeto no curso de panificação que fez no Instituto Arte no Dique. A princípio, seu interesse era apenas melhorar a casa de dois cômodos onde mora com o marido e os dois filhos. Contudo, à medida que o projeto avançava, relembrou o seu antigo gosto pela arte, despertado na adolescência, na pintura de panos de prato que aprendeu com a madrasta. “Depois cresci, abandonei”, lamenta. Hoje, ela faz bolos, pães e biscoitos para fora, mas vem reavivando o desejo de se aprofundar na pintura. “O conhecimento abriu horizontes: deu vontade de outros projetos”.