Porto de Santos, responsável por 78,7% das exportações de café, que são escoadas em contêineres (Alexsander Ferraz/AT) Os problemas na infraestrutura portuária brasileira geraram prejuízos milionários aos empresários do café em 2025, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O principal gargalo está no Porto de Santos, responsável por 78,7% das exportações do produto. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Na média, 55% dos navios tiveram atrasos e 1.824 contêineres estufados com café – 602 mil sacas – deixaram de ser exportados por mês. Segundo o Cecafé, isso fez com que o País deixasse de receber R\$ 14,670 bilhões como receita cambial em 2025. “Filas de caminhões, pátios lotados, falta de berços, rolagens de cargas, atrasos e alterações de escalas de navios geraram esses prejuízos milionários com armazenagens adicionais, pré-stacking (antecipação de contêineres) e detentions (cobrança de sobre-estadia do contêiner)”, explica o diretor técnico da entidade, Eduardo Heron. A entidade aponta que os exportadores tiveram um gasto extra de R\$ 66,1 milhões com o não embarque de café no acumulado dos 12 meses de 2025 em função desse cenário. Segundo Heron, a movimentação e os embarques gerais recordes nos portos, anunciados pelas autoridades públicas, dificultam o entendimento sobre o atual cenário de esgotamento e prejuízos causados aos diversos setores, pois esses resultados mascaram os desafios enfrentados pelos exportadores, principalmente os do segmento de cargas conteinerizadas. “Não é apenas o café que enfrenta esses entraves na infraestrutura portuária para realizar seus embarques, mas todas as cargas que dependem de contêineres, conforme apuramos com as lideranças de outros setores, como açúcar e algodão, entre outros”, afirma. Ele ressalta que são necessárias políticas públicas adequadas para tentar resolver, com rapidez, os gargalos, estimulando diversificação de modais de transporte, ampliando a oferta de capacidade de pátio e berços nos terminais portuários, assim como o aprofundamento do canal de navegação para o recebimento de grandes embarcações. “Somente assim o País deixará de perder bilhões em receita”, explica. Custos suportados Ele detalha que o Brasil é o país que mais repassa o valor Free on Board (FOB, custos até o embarque) da exportação a seus cafeicultores, a uma média superior a 90% nas últimas safras. Dessa forma, o não embarque de café devido aos gargalos logísticos não representa apenas menor receita cambial e prejuízos aos exportadores, diz Heron. “É, também, menos receita aos cafeicultores, que se dedicam arduamente, enfrentando os desafios que a atividade possui, como as adversidades climáticas e custos de produção elevados, para que possamos entregar a todos os continentes os melhores e mais diversos cafés sustentáveis aos nossos clientes”, comenta. Em alta O diretor técnico do Cecafé menciona ainda que, de 2016 a 2025, as exportações do agronegócio brasileiro registraram um crescimento de 72%, saltando de 158,9 milhões para 273,1 milhões de toneladas, conforme dados do AgroStat do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apresentando uma taxa de crescimento médio anual de 6%. “Se mantido esse cenário de evolução do agro e os investimentos em infraestrutura seguirem de forma morosa e burocrática, o comércio exterior brasileiro seguirá acumulando prejuízos e o País continuará perdendo competitividade e oportunidades”, conclui.