[[legacy_image_192181]] Mesmo durante a pandemia de covid-19, o setor da construção civil seguiu aquecido na Baixada Santista. Só que o momento acabou trazendo novas tendências e preferências de quem busca um novo lar. Arquitetos da região contam que a principal mudança acontece na junção de cômodos para criar um ambiente grande, geralmente voltado à recepção de visitas, inclusive se for um imóvel compacto. “A integração de ambientes para criar um espaço maior e mais versátil tem sido muito procurada pelas pessoas. E isso acaba trazendo também uma mudança na movimentação dos móveis no apartamento, gerando mais demanda por peças retráteis”, conta a arquiteta Fernanda Trindade. Dessas junções, muitas envolvem a varanda, cada vez mais popular entre os compradores. Fernanda acredita que essa preferência se dá ao fato de os clientes buscarem uma maior ligação com a natureza e a cidade, mesmo morando em uma construção vertical. A conexão com o verde, muitas vezes trazida por flores e plantas na casa, também é uma tendência a ser explorada. O arquiteto Felipe Torelli concorda e vê muitos compradores prezando pelo bem-estar. “Espaços verdes, lugares para leitura, meditação e outras atividades que mantêm a saúde mental em dia começaram a aparecer com mais frequência”. Muitas dessas alterações têm a ver com o trabalho remoto, popularizado durante o isolamento social adotado na luta contra o coronavírus. Ainda assim, as tendências continuaram mesmo com o retorno de parte da mão de obra para o modelo presencial de trabalho. Uma mudança interessante apontada por Torelli é a procura por endereços mais próximos do serviço, mostrando a opção por mais mobilidade no dia a dia. O diretor de Mobilidade Urbana do World Research Institute (Instituto Mundial de Pesquisa) e professor do Insper, Sérgio Avelleda, afirmou durante o 9º Summit da Construção Civil, evento do Grupo Tribuna realizado no último dia 4, que o futuro das cidades é justamente compactar seus grandes centros. Visitas e uma boa cozinha Questionada sobre a metragem dos imóveis, Fernanda conta que os apartamentos mais buscados têm, em média, 160 metros quadrados. “Com esta integração de cômodos, o tamanho é bem variável. Deste espaço, muito fica concentrado na área em que os moradores pretendem receber as visitas”. Por conta do foco na confraternização, as cozinhas gourmet também começaram a aparecer com mais frequência em projetos da região. Para Torelli, o cômodo pode até ficar conectado à sala. Outro detalhe apontado pelo arquiteto é a procura por entradas e hall social, onde é possível guardar objetos e roupas, na tentativa de deixar eventuais riscos sanitários fora do apartamento, um reflexo dos tempos de covid-19.