[[legacy_image_279251]] Outro dia um amigo me disse, muito sabiamente, que tinha descoberto que dinheiro realmente não tinha a mínima importância, a não ser quando falta. E a falta de grana foi desde sempre o argumento-mor dos nossos cartolas. Digo isso porque, quando vendem o futuro do nosso futebol, é sempre por falta de grana, para equilibrar as contas que eles se esmeram em fazer desequilibradas. E dizer que os principais clubes do nosso País são pobres seria uma falácia. Mas o amigo torcedor tá cansado de ouvir de tempos em tempos a velha ladainha de que será preciso vender alguém, em geral uma das joias do time, pra conseguir algum dinheiro. De outro modo as contas não fecham. É desilusão já incorporada à paixão futebolística terceiro mundista. Algo que ficou tão banalizado que nem notamos mais com clareza o alto preço dessa conduta. Estava aí outro dia o menino Endrick, mesmo já negociado com o Real Madrid, ajudando a colocar um pouco mais de bufunfa no cofre palmeirense. Isso porque ao marcar contra o Barcelona pela Libertadores – o do Equador, não se confundam – tinha atingido a primeira meta do contrato que prevê um prêmio de 2,5 milhões de euros a cada 5 gols marcados. O negócio no total será de cerca de R\$ 400 milhões. Endrick também ilustra uma outra realidade interessante. A de que essa roda continua girando mesmo quando a grana não anda em falta. O futebol brasileiro é assim. Quando a saída de jovens pareceu absurda e ia se dando cada vez mais cedo, se estabeleceu uma idade mínima. E pra lidar com isso, se inventou uma venda sem pronta entrega. Não é de se estranhar em um futebol que passou a exigir licença para treinadores, mas aceita que um que não tenha trabalhe, desde que arrume um que tenha para assinar por ele. Endrick deve partir em junho do ano que vem. Antes dele já terá partido o atacante Pedrinho, do Corinthians, negociado recentemente com o Zenit, da Rússia. O Putin que me perdoe, mas o país dele está longe de ser neste momento promissor para qualquer um, que o diga para um menino. Negócio que mostra muito bem como o futebol tem uma lógica toda dele e como diante da falta de dinheiro a tendência é que pouco passe a valer muito. O santista Ângelo já foi. Enveredou pelo mesmo caminho depois de ter resistido bravamente contra a investida do Flamengo. Mas se rendeu porque o Santos, todo mundo sabe, anda vivendo na pele a máxima que abriu este artigo. Não consigo deixar de pensar nisso toda vez que vejo o camisa 9 do Athletico-PR aprontando pra cima dos adversários. Vitor Roque, vendido ontem ao Barcelona verdadeiro, vive uma fase que dá gosto. Tem talento, tem sido constante e tem a veia que o jogo de bola destes dia pede, um vigor físico brutal. Símbolo desse nosso futebol em flor que vai servindo aos que dizem não ter dinheiro e aos que tem muito.