Dois jogos agitam a Copa do Mundo nesta sexta-feira (12) (Unsplash) Sabemos todos que esta não é uma quinta-feira qualquer. A abertura da Copa pode não ser daqueles momentos que altera drasticamente agendas, esvaziando escritórios, lotando bares, tornando a chegada em casa uma corrida contra o relógio. Mas estará na ordem do dia. No mínimo se intrometendo no cotidiano de muitos. Mesmo antes de a bola rolar, as atenções estarão voltadas para o Estádio Azteca, que se já tinha ar de nobre, a partir de hoje terá ainda mais, ao se transformar no único lugar do planeta a servir de cenário para o evento em três oportunidades. Haverá também um sem fim de detalhes que já vivemos e que passarão despercebidos. O gasto astronômico por trás de tudo. No caso do México falam num total de R\$ 41 bilhões investidos. Isso para ter três sedes e não uma Copa toda pra chamar de sua. Serão breves 13 jogos na pouco expressiva fase de grupos e apenas dois quando o evento chegar aos 32 avos de final. Pra se ter uma ideia, segundo a apuração do Tribunal de Contas da União, o gasto do Brasil que sediou uma Copa inteira em 2014 foi de R\$ 25 bilhões. A reta final de preparação tem evidenciado, como sempre, que as obras de mobilidade não andaram na velocidade que tinham de andar. Tudo muito previsível. E muitos dos que têm bons motivos pra protestar contra o governo local não perderão a oportunidade. Uma semana antes da abertura os professores mexicanos, em greve nacional, bloquearam ruas, entraram em confronto com a polícia, derrubaram símbolos ligados ao Mundial e ameaçaram fechar aeroportos. Tão batido quanto ver professores nesta situação são as reivindicações que fazem. Salários defasados, mudanças no sistema de aposentadoria. Perdoem o contraponto ao momento festivo. Mas isso tudo serve para elucidar as manobras de quem verdadeiramente lucra com o evento. A Copa de 2026 expandida para 48 seleções e três países está quebrando todos os recordes financeiros e, leio aqui, já se tornou o maior motor econômico da história do futebol mundial. A competição projeta uma geração de US\$ 80 bilhões, cerca de R\$ 400 bilhões, em produção bruta global. Seja lá o que isso quer dizer. O que por tabela torna muito claro por que a próxima será disputada em seis países e três continentes. Esse gigantismo todo me faz pensar quanto não lucrarão os sites de apostas ao redor do mundo. E se não estamos fadados a um dia vermos o mundo inteiro envolvido com a Copa do Mundo. Assim pelo menos as seleções poderiam economizar jogando cada uma na sua casa, ou tornando as disputas regionalizadas. Isso geraria economia, um impacto menor na emissões de carbono. Mas ninguém vai querer jogar contra algo que vem dando tão certo. Ainda que a gente saiba que as emissões de carbono da edição que está pra começar, segundo especialistas, irão muito além das emitidas nas edições de 2018 e de 2022. Mas talvez a Fifa esteja tão antenada com tudo que por isso até já anunciou a troca da empresa que há décadas produz os álbuns e as figurinhas oficiais que, descobri dias atrás, usa um tipo de silicone no verso das mesmas que contamina o processo de reciclagem padrão. E por isso se jogado no lixo comum – ou misturado com a coleta seletiva – fatalmente irá parar em aterros sanitários, onde precisará de 100 anos pra se decompor. O que a essa altura não tem o menor cabimento. Não quero com esses detalhes todos minar a diversão de ninguém. Mas, como jornalista, fui doutrinado a olhar sempre para os dois lados. E a conclusão que chego com toda a minha rabugice é que é preciso sempre questionar. Por exemplo, qual será realmente o preço a pagar por essa Copa que nos vendem como a maior de todos os tempos?