(Andy03/Pixabay) Foi-se o tempo em que o futebol eram 11 para cada lado. Não estranhem, a coisa assim se dá. Sei que do jeito que foi escrito, assim logo de cara, pode provocar um certo espanto. Mas antes que me digam que não tenho razão, ou que enlouqueci, vos aviso que tenho a história a me amparar. Não seria tão juvenil a ponto de entrar numa dividida dessa sem me precaver. Talvez vocês não saibam, ou não tenham mesmo o menor interesse pelo que passou. Aliás, traço que vejo cada vez mais forte nas pessoas nestes dias que correm. E não compreendo muito, porque sou do tipo que acha mesmo maçante o presente. O passado sempre tem lá suas seduções. E o futuro, então, nem me fale. Não há o que possa concorrer com ele já que podemos imaginá-lo como bem der na nossa cabeça. Ainda que os indicativos, as notícias, sugiram que otimismo não cabe neste exercício. Mas, vamos aos fatos. Até o final da década de 1950 os times entravam em campo com 11 jogadores e ponto. Se alguém se machucasse, não tinha o que ser feito. A regra, nesse sentido, era mesmo clara. Machucou, fica com dez. Até que pouco antes da Copa que viria ser vencida pelo Brasil, em 1958, foi autorizada uma única substituição. Mas a mesma só poderia se dar em caso de lesão. E foi só na Copa do México, em 1970, que tudo mudou de figura. As substituições deixaram de ser restritas aos casos de lesão, permitiu-se que as trocas passassem a ser feitas por questões técnicas. Foi com esse jeitão que os moleques da minha geração conheceram o futebol, com os times podendo trocar dois jogadores por partida e nada mais. O que só veio a mudar duas décadas e meia depois, em 1995, quando liberaram uma terceira troca. E como nossa memória é curta, talvez já não lembremos que chegamos às cinco substituições atuais em 2020, como um desdobramento das necessidades impostas pela pandemia. Pensando em cuidar do bem estar dos atletas e em diminuir o risco de lesões, assim decidiram uma vez que a retomada das competições impunha um calendário apertado. O que se deu é que a coisa caiu no gosto de todo mundo e, dois anos mais tarde, a International Board acabou por tornar a regra definitiva, tomando o cuidado de determinar que elas deveriam ser feitas em três janelas para não provocar muitas paralisações ao longo das partidas. Antes disso, vejam vocês como o tema se faz um teste de memória, já tinha sido criada a substituição extra em casos de prorrogação. O que se deu em 2016. Ou seja, primeiro permitindo uma quarta substituição e, mais tarde uma sexta, quando as cinco já estavam liberadas. Mas resgato toda essa trajetória porque acho que esse é um tema pouco explorado. Seja qual for o número permitido, os treinadores seguirão sendo contestados pelas escolhas feitas a respeito de quem deve entrar e sair de campo. Seedorf, que mal chegou, já se fez exemplo acabado disso. E tão claro quanto essa questão, na minha opinião, é que esse número de substituições tem desfigurado os jogos, criado realidades muito distintas dentro dos 90 minutos. Quase um jogo dentro do outro. Troca-se meio time. Muitas vezes quando a escalação inicial já era de atletas menos utilizados. Pode-se com isso contentar um maior número de boleiros, é um fato. Mas tudo me leva a crer que os ditos os professores, ao invés de usarem a regra com parcimônia, com inteligência, parecem que andam é se lambuzando com ela.