Tudo é uma questão de educação. Foi assim que um amigo certa vez praticamente acabou com uma acalorada conversa a respeito do comportamento dos jogadores em campo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No fundo, grande parte do que nos incomoda no mundo externo é uma questão de educação, se pensarmos bem. Desde o cidadão que teima em nos fazer ouvir a música que ele escolheu. Passando pelo sujeito que simplesmente ignora o semáforo em vermelho. O que anda na contramão. O que sai pra passear com o pet deixando na calçada os vestígios do passeio. Há um sem fim de exemplos. Mas vamos tratar da boleirada. Bastaram aí umas poucas rodadas pra eu perceber o quanto fui ingênuo ao pensar que a Copa, com suas novas regras, pudesse de algum modo trazer avanços. Mas a impressão que tenho é de que a coisa se acentuou. E nem tô falando da manjada simulação, que é coisa de dar nos nervos. O que estamos vendo parece beirar o caos total. Chegamos ao ponto em que um lance qualquer tem servido de pretexto para que se cerque o árbitro. Muitas vezes de dedo em riste. Obrigando o tal a escutar outras versões do ocorrido. Todas elas muito duvidosas obviamente. Sou levado a crer que o avanço desse tipo de atitude está ligado ao comportamento de dirigentes que, de uns tempos pra cá, perderam totalmente a postura. Já não pensam duas vezes pra fazer acusações, talvez encantados pela notoriedade que essas bravatas costumam lhes conferir. O que acaba por encorajar os jogadores a seguirem caminho parecido usando os recursos que têm. Fato é que a coisa anda beirando o insuportável, a ponto de dar a impressão de ameaçar colocar por terra o pouco encanto que ainda resta do nosso futebol que, um dia, encantou o mundo. Pode soar apocalíptico, e é. Não se enganem. Já disse aqui, e volto a repetir: a principal arma para combater essa questão continua sendo a arbitragem, na figura dos árbitros. Ainda que eles precisem do amparo de uma autoridade que já nem sei se o futebol brasileiro tem. Imagino que o preço a pagar seria alto. Expulsões logo de cara. Desde sempre um tabu no jogo de bola. Uma farta distribuição de cartões para quem ousasse se exaltar. E outras atitudes que num primeiro momento poderiam soar extremadas, mas que no curto prazo poderiam nos levar a uma melhora de comportamento que se faz urgente. E talvez fosse o caso também de colocar essa boleirada, que sempre achou que não tem nada pra aprender, em salas de aula. O aprendizado deixaria clara a realidade mais dura que passariam a encontrar em campo na figura dos árbitros, mas também serviria para fazê-los perceber o quanto isso, em última instância, poderia trabalhar a favor de todos. Fato é que nossa memória é mesmo muita curta. Faz pouco mais de dois anos, foi pouco antes dos Jogos de Paris, a Fifa instituiu a chamada regra do capitão. Ou seja, apenas os capitães dos times poderiam se aproximar e falar com os árbitros. E, detalhe, isso nos momentos em que eles fossem tomar decisões importantes. Nada de uma falta na lateral da intermediária ou coisa parecida. Pois bem, isso tinha se dado em julho. No mês seguinte, em agosto, a CBF, dizendo seguir as diretrizes da entidade-mor – cujo presidente atual neste momento vale um artigo – distribuiu um comunicado oficial aos clubes brasileiros dizendo que a partir daquele momento seria estabelecida a tolerância zero para jogadores que pressionassem ou cercassem o árbitro. Só mesmo rindo, pra não chorar.