Imagem ilustrativa gerada por IA (Freepik) Neste meio de semana a temporada, enfim, entrou em outro estágio com os torneios continentais fazendo suas rodadas inaugurais da fase de grupos. Não é coisa pra qualquer um. Ainda mais quando o assunto é a Libertadores, esse torneio que os mais velhos viram ser tratado com descaso e que hoje em dia se fez o tal. A ponto de ofuscar a magnitude do Campeonato Brasileiro, e que tem servido de palco para o nosso futebol desfilar sua imponência. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Dos últimos dez títulos ficamos com oito. O que já seria de lhe ameaçar a graça, que parece ficar comprometida de vez se atentarmos para o fato de que as últimas oito dessas dez edições terminaram com um time brasileiro campeão. E que cinco dessas oito tiveram como vice uma equipe brasileira também. Mas não nos apequenemos com o olhar frio da racionalidade. A graça da Libertadores segue viva. Entre nós, pelo menos. Diante disso, chega a ser intrigante notar como a realidade muda quando o assunto é a Copa Sul-Americana. Nela, das últimas dez edições, os times brasileiros só se deram bem em três. Duas ainda na década passada. E apenas uma nos anos 20 do século que corre. Ainda que equipes brasileiras tenham estado nas finais em outras seis oportunidades. A derrocada do Atlético-MG para o Lanús na temporada passada nos fez chegar ao quinto vice seguido. As razões para tamanho disparate certamente turbinariam qualquer roda de papo disposta a decifrar o caso. Os mais místicos talvez digam que os torneios têm almas diferentes. Outros, mais pragmáticos, podem justificar essa diferença se apoiando na própria realidade atual do futebol sul-americano. A falta de fôlego financeiro dos clubes argentinos para competir com os brasileiros faz deles uma espécie de segunda força, num momento que espelha também a evolução do futebol do Equador e da Colômbia. Das últimas dez Libertadores vencidas por brasileiros, quatro tiveram argentinos como vices. Enquanto na Sul-Americana os argentinos ficaram com quatro dos últimos dez títulos, os equatorianos com três e os colombianos com dois. Feitos que não devem ser encarados com surpresa, já que nas Eliminatórias para a Copa recém-encerradas o Equador foi o segundo colocado, atrás da Argentina, e a Colômbia a terceira. Todos à frente do Brasil, que foi o quinto. E entre eles e nós ficou o Uruguai, que na última década não teve um representante sequer em qualquer das finais sul-americanas. Mas é bom que o futebol brasileiro e seus homens de negócios não pensem que por essa condição não têm trabalho pela frente. Manter essa hegemonia talvez passe por ter um torneio nacional de padrão muito superior ao atual, onde a vital qualidade do campo de jogo venha a ser apenas um detalhe. Quem esteve atento às convocações da última Data Fifa pôde perceber que elas sugeriram não que ter um campeonato local respeitável é garantia de triunfos, mas que é um bom amparo. A França - que anda jogando muito - tinha apenas seis de seu 26 convocados atuando no país. E esse número teve uma ajuda tremenda do PSG, que lhe deu cinco deles. Mas a Espanha, entre os seus 26, tinha 20 deles jogando em casa. Número parecido com o da Alemanha, que tinha 16 entre 25. Coloco esses dados aqui por acreditar que seja também uma maneira de forçar a reflexão sobre o modo como o futebol brasileiro se abriu aos estrangeiros. O que pode fazer um campeonato melhor não se traduzir exatamente em uma expansão no horizonte dos jogadores brasileiros. Como disse, não se trata de uma fórmula do sucesso. A Argentina, atual campeã do mundo, tinha apenas cinco entre os 23 convocados atuando no país. Já a Inglaterra, que há tempos não ganha nada, chamou 35 e só cinco atuavam fora. Não me espantaria se daqui a algum tempo os ingleses passassem a ganhar. A questão é olhar o todo e entender que exemplo deve ser seguido. Ser o maioral na Libertadores é ótimo, mas jamais será garantia de uma excelência que nos colocará em outro patamar no mundo da bola.