É de pequenino que se torce o pepino? Se sim, e eu acredito nisso, está na hora de abrir espaço na estante da sua casa, escola ou biblioteca para a escrita de autores negros da literatura infantil e juvenil. Assim, vamos juntos desconstruir o racismo, porque as histórias têm o poder de ficarem inscritas no coração e é ele, coração, quem deve nos conduzir. Kiusan Oliveira, autora e educadora, recebeu o convite para a curadoria de uma coleção de literatura negro-brasileira pela Editora Pera Book e o resultado já pode ser conhecido. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O projeto Vozes Pretas reúne diversos autores e ilustradores negros em histórias que exploram temas como ancestralidade, identidade, memórias e representatividade. Com audiodescrição, tradução em libras e realidade aumentada, prometem conquistar a garotada. A ideia é lançar 60 livros, trazendo o melhor dos autores contemporâneos. A iniciativa veio para mexer com o mercado editorial e com os leitores negros e não negros, uma vez que as experiências de seis autores estão carregadas de vivências e foram cuidadosamente criadas para influenciar positivamente na construção de representatividades potentes e antirracistas, com o desejo de criar uma geração mais inclusiva. Encantamento é a palavra que me parece correta para o que senti ao ler algumas obras – aos poucos, trarei aos leitores da coluna mais sobre elas. Assim como a coleção Vozes Originárias, essa iniciativa é muito relevante para a bibliodiversidade. Agora, só falta mesmo falarmos dos indígenas em contexto urbano, afinal, é uma luta importante desconstruir o esteriótipo de que para ser indígena precisa estar morando na aldeia e sem acesso à tecnologia. Mas esse tema é para outra coluna. Hoje, trago duas obras. A primeira: Me Chame de Bakari, da Madu Costa, com ilustrações de Gustavo Nascimento, é uma história que nos faz refletir sobre a reprodução do racismo sem nem sabermos o porquê. Uma história de amizade atravessada pelo preconceito do pai de uma das crianças, mas é o próprio filho que o faz enxergar outra forma de conviver entre seres humanos, que têm mais semelhanças do que diferenças. O segundo livro é Penteado, O Meu e o do Lado, de Heloísa Pires Lima, com ilustrações de Letícia Moreno. Para os leitores menores, a obra fala dos tipos diferentes de cabelos e como os penteados podem trazer raízes, ancestralidade e heranças. As duas autoras são veteranas da literatura, por isso, devem ser lidas por crianças e adultos. Serviço: Me chame de Bakari, Madu Costa, 32 páginas, R\$ 70,00; Penteado, O Meu e o do Lado, Heloísa Pires Lima, 32 páginas, R\$ 67,00. Ambos da Editora PeraBook